Delegado de Curitiba defende desarmamento da população
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de agosto de 2000
Julio Cesar Lima De Curitiba 
Considerada a 17ª capital mais violenta do País, conforme pesquisa feita pela Unesco (Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), desde o início deste ano Curitiba registrou 159 homicídios. A delegacia de Homicídios da Capital aponta o uso de armas de fogo como um dos principais fatores para a violência. O uso delas é responsável por 85% desses crimes, disse o
delegado Fauze Salmen. A periferia curitibana responde por 90% do total.
Para coibir o uso de armas e reduzir a criminalidade, a delegacia quer implantar um projeto para desarmar a população. Depois de mapearmos os bairros com maiores incidências criminosas, queremos colocar em prática, com o auxílio do Juizado de Menores, batidas policiais em bares clandestinos, que reúnem um número grande de jovens e adultos armados, disse Fauze.
Entre os locais mais perigosos de Curitiba estão a região do CIC (Cidade Industrial de Curitiba), onde ocorreram muitas invasões nos últimos anos, e a Vila Oficinas. As duas localidades ficam na periferia da cidade, onde acontece a maioria das mortes.
Segundo o delegado, a média é de um crime a cada 35 horas e muitas vezes por motivos fúteis. Existem casos de brigas de trânsito, futebol na várzea aos finais de semana e nos bares. Sem armas, muitos desses crimes seriam evitados, pois as pessoas geralmente estão descontroladas emocionalmente, ressalta.
A Delegacia de Homicídios tem 6 delegados, 38 policiais e 10 escrivães para uma população de 1,6 milhão. No mês de agosto foram registrados oito homicídios. Estamos resolvendo praticamente 100% dos casos. Tem sido importante a rapidez nas investigações para que não haja a sensação de impunidade para quem praticou o crime, concluiu Salmen.


