Delegado da Receita Estadual e policial são presos
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domingo, 15 de fevereiro de 2015
Antoniele Luciano e Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Londrina - Mais duas pessoas foram presas ontem em Londrina pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por suposto envolvimento no esquema de exploração sexual sob investigação em Londrina. Um dos detidos é o delegado regional da Receita Estadual, José Luiz Favoreto Pereira. O outro é o policial civil Jeferson Pereira dos Santos. Ambos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.
As apurações sobre o mesmo esquema já tinham levado à detenção do fotógrafo e ex-assessor da Casa Civil do Paraná, Marcelo Caramori, e do auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, no dia 29 de janeiro. Solto nesta semana, Caramori também teve a prisão decretada novamente e foi detido na manhã de ontem.
De acordo com a promotora da 6ª Vara Criminal de Londrina, Caroline Esteves, ele teria descumprido o acordo de delação premiada que havia permitido a soltura dele, na última terça-feira. Novas vítimas que estariam envolvidas com o fotógrafo e que não tinham sido citadas por ele foram descobertas pelos investigadores, fato que resultou na quebra do acordo e na nova prisão. "O acordo engloba confessar seus próprios crimes e dar fatos novos de outras pessoas. Ele colaborou, mas se omitiu de seus próprios crimes", comentou Caroline.
Segundo o delegado do Gaeco, Ernandes Cézar Alves, pesam agora sobre Caramori as acusações de estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição de vulnerável. Um novo inquérito foi instaurado para apurar o envolvimento de mais quatro vítimas, incluindo uma menor de 14 anos. "Estamos investigando os casos, na medida que os fatos chegam", explicou.
O delegado do Gaeco observa ainda que os nome do auditor fiscal e do policial civil, por sua vez, teriam surgido durante as apurações, não em depoimento de delação premiada. "Diretamente, ainda não encontramos ligação entre eles e Caramori. No momento, o que sabemos é que são conhecidos", assinalou Alves, ao salientar que se for caracterizado vínculo entre os três, a fim de tirar proveito em comum no esquema, eles ainda podem responder pelo crime de organização criminosa.
Além da prisão do delegado da Receita Estadual, policiais do Gaeco cumpriram mandado de busca e apreensão em um dos imóveis de Favoreto, nas proximidades da Rua Brasil. O objetivo era encontrar materiais relacionados aos crimes suspeitos. Conforme a promotora Caroline Esteves, o local seria utilizado por Favoreto para levar as adolescentes aliciadas. Nada foi encontrado durante a busca.
Mais de 20 jovens já teriam sido identificadas como vítimas do esquema. Os pagamentos, de acordo com o Gaeco, girariam em torno de R$ 250 a R$ 2,5 mil. Parte das vítimas estaria sob o efeito de drogas e álcool no momento do abuso. "O que chamou a atenção foram as vítimas de pouca posse, o aproveitar da situação financeira das vítimas", pontuou o delegado Ernandes Cézar Alves.
Tanto o delegado da Receita Estadual como o policial civil vão responder por favorecimento à prostituição de vulnerável. Favoreto e Caramori foram encaminhados para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2). Já o policial civil seguiu para Curitiba. Ele deve cumprir a prisão preventiva na carceragem da Delegacia de Furtos e Roubos (DFRV).
Conforme o MP, os inquéritos deverão ser concluídos, serão oferecidas denúncias e os acusados devem responder por ação penal.
EXONERADO
Delegado do Gaeco informou que José Luiz Favoreto Pereira havia sido exonerado da Receita Estadual. Reportagem da FOLHA apurou que sua exoneração foi publicada no Diário Oficial na última quinta-feira, mas com validade a partir do próximo dia 18.
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