Delegado da PF toma posse e governo dá crise por encerrada
Brasília, 24 (AE) - Com a posse do novo diretor-geral da Polícia Federal, Agilio Monteiro Filho, o governo dá por encerrada a crise gerada pela disputa do cargo. Hoje, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Justiça, Renan Calheiros, conversaram rapidamente por telefone logo após a cerimônia de posse. No seu gabinete, ainda repleto de lideranças políticas, Renan foi enfático: "A posse foi muito prestigiada, presidente. Acho que agora tudo está superado; crise é coisa do passado."
A paz na área de segurança do governo deverá ser selada oficialmente numa viagem conjunta que Renan e o chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, farão amanhã (25) a Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Juntos, após semanas de divergências - Cardoso apoiava João Batista Campelo, que pediu demissão após acusação de comandar sessões de tortura nos anos 70-, eles comandarão a incineração de 20 toneladas de maconha e três toneladas de cocaína apreendidas na região.
A pacificação dos ânimos estendeu-se entre a base de sustentação ao governo. A principal demonstração veio do PSDB, que recebeu uma visita do ministro da Justiça, no gabinete do seu líder na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). A conversa serviu para aparar arestas entre tucanos e peemedebistas - em abril caciques dos dois partidos passaram a trocar ofensas públicas motivadas por uma tentativa de excluir o PMDB do governo. "O PSDB e o PMDB tem uma identidade histórica que precisa ser preservada", enfatizou Aécio. "Esses eventos durante o dia de hoje contribuíram para o fortalecimento do ministro da Justiça, da Casa Militar e da Polícia Federal", avaliou Arthur Virgílio, líder do governo no Congresso. Pimenta da Veiga, a quem foi atribuída a idéia de expurgar o PMDB da aliança governista, também se reaproximou de Renan Calheiros.
Carta branca - O delegado Agilio Monteiro Filho tomou posse hoje pregando união e harmonia na instituição. Numa solenidade com a presença de quatro ministros, todos os líderes da base aliada ao governo, representantes de grupos de defesa dos direitos humanos e de movimentos negros, Monteiro Filho recebeu "carta branca" de Renan Calheiros para conduzir a PF.
Renan afirmou, em discurso, que não vai mais admitir "desvios de conduta", como escutas telefônicas clandestinas e desrespeito à hierarquia. O ministro foi muito aplaudido no seu discurso, de 19 minutos - quando empossou Campelo foi sucinto: falou apenas por 18 segundos. Ele aproveitou para anunciar a demissão do delegado Carlos Leonel da Silva Cruz, acusado de ter participado do assassinato de seu colega, Alcione Araújo, em São Paulo. "Demitirei quantos forem preciso", avisou.
Criticado na quarta-feira pelo presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenap), Jorge Venerando de Lima
o novo diretor da PF recebeu apoio da associação dos delegados que distribuiu, durante a cerimônia, uma nota repudiando as declarações de Venerando. "Ele não está credenciado e nem legitimado para falar em nome de todas as categorias componentes da carreira policial", diz a nota dos delegados, abrindo a primeira briga entre a ala sindical da PF.
Monteiro Filho contemporizou. "Chegamos para unir a classe de policiais federais", afirmou. "A população precisa voltar a confiar na polícia", acrescentou. Ele recebeu uma benção do padre Lourival Felipe Soares, da paróquia de Santo Antônio da Pampulha, que frequenta aos domingos.





