Delegado da PF pede a prisão de Stédile
O líder sem-terra responde a inquérito na Polícia Federal, acusado de incitar saques no Nordeste
Agência Estado
O juiz da 4ª Vara Federal do Rio, Abel Fernandes Gomes, pode anunciar hoje à tarde se aceita o pedido de prisão preventiva do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile, feito ontem pelo delegado Antônio Carlos Rayol, da Polícia Federal (PF). Stédile responde a inquérito na PF, acusado de incitar saques no Nordeste, pelas declarações que deu há duas semanas em um seminário no Clube de Engenharia.
O juiz recebeu no início da tarde de ontem as peças do inquérito - notícias de jornal com as declarações de Stédile e uma fita de vídeo com imagens de um saque em Gravatá, em Pernambuco, que teve a participação de líderes do MST.
O advogado de Stédile, o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), já havia avisado anteontem que entraria com um pedido de habeas corpus em favor de qualquer militante sem-terra que tivesse a prisão preventiva pela acusação de organizar ou incentivar saques.
Greenhalgh orientou o coordenador do MST a não dar entrevistas ontem, após tomar conhecimento do pedido para a decretação da prisão. O deputado acusou Rayol e o ministro da Justiça, Renan Calheiros, de ignorar os ‘‘trâmites processuais’’ deste tipo de pedido.
‘‘O delegado andou dando entrevistas dizendo que a prisão já estava certa e ele estava montando uma força-tarefa para prender Stédile, mas antes disso, é preciso que o juiz ouça o Ministério Público e depois tome uma decisão’’, afirmou.
Até o fim da tarde, o Ministério Público Federal não havia recebido qualquer pedido de consulta do juiz. O deputado afirmou ontem que Stédile estava ‘‘tranquilo’’ em relação ao pedido do delegado - que não tomou nenhuma outra providência em relação ao inquérito, de acordo com a assessoria de comunicação da PF do Rio. Gomes também é o responsável pelos dois processos sobre a falência do Banco Nacional.

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