Delegado da PF nega que pistoleiro tenha sido turturado
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terça-feira, 16 de fevereiro de 1999
Por Carlos Mendes (especial para a AE) 
Marabá, PA, 17 (AE) - O delegado Adolfo Raquel Machado, da Polícia Federal (PF) em Marabá, no Sul do Pará, negou hoje que o pistoleiro Mendonça Medeiros da Silva, um dos envolvidos na morte da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), tenha sido torturado por agentes da Polícia Civil de Alagoas. "Ele prestou declarações na presença de seu advogado", acrescentou Machado.
Os policiais alagoanos estiveram em Marabá, semana passada, para tomar o depoimento de Silva, depois que ele foi preso em Conceição do Araguaia. A denúncia de tortura foi feita ontem (16), em Belém, pelo deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL)
que acusou a polícia de Alagoas de espancar Silva para que este o incriminasse como mandante do assassinato de Ceci.
Segundo Machado, o depoimento de Silva foi tomado "sem qualquer coação física ou psicológica". O delegado disse que o acusado fez uma "confissão espontânea", fornecendo detalhes do envolvimento com Albuquerque.
Antes de embarcar de Belém para Maceió, o deputado contou que o clima na Câmara Federal anda "muito ruim" para ele. Afirmou que teve vontade de renunciar ao mandato, mas não o faz para evitar que digam: "Tá vendo?; foi ele quem mandou matar a Ceci."
Albuquerque criticou a PF e a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas por negar um pedido dele de realização de exame de corpo de delito no pistoleiro. "O Mendonça Silva está com três edemas na face - um na região dos olhos, outro perto da boca e o último no nariz; ele nunca foi inchado daquele jeito."
O deputado prometeu denunciar a tortura na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, acrescentando que Silva fez um depoimento "arrumadinho" pela polícia. Num dos trechos das declarações do pistoleiro, segundo Albuquerque, está escrito: "Talvane queria matar Augusto Farias, mas não o encontrando, resolveu matar a deputada Ceci Cunha."
O objetivo dessa confissão, afirma o deputado, está bem claro: "Eles não podem mais prorrogar o inquérito; por isso, pegaram o Mendonça para encaixar essa história contra mim."


