Delegado culpa poder público
Quem classificou Londrina como ''capital da pirataria'' foi o delegado Fernando Martins, do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) do Paraná. Em entrevista ao portal Bonde, em janeiro, ele destacou o grande número de laboratórios de produção de CDs e DVDs piratas na cidade, o abastecimento aos camelódromos e a revenda para outros municípios da região.
Em entrevista à FOLHA, Martins reafirmou que o problema não está somente no Camelódromo Central, mas também em galerias e lojinhas, especialmente no Centro de Londrina. ''Essa situação é resultado da criação do próprio Camelódromo, que foi o primeiro empreendimento dessa natureza. Depois, foram surgindo os outros shoppings populares. As autoridades, em um primeiro momento, acharam que era algo pontual. Mas o problema foi crescendo. Hoje, é necessária uma fiscalização intensa, envolvendo todas as forças de segurança'', diz o delegado, que culpa as administrações municipais anteriores. ''Quiseram tirar os camelôs das ruas e acabaram criando outro problema'', critica.
Por seu lado, David Oliveira, delegado-adjunto da Receita Federal em Londrina, discorda que o contrabando tenha aumentado na cidade desde a criação do Camelódromo. ''Como Londrina fica em um região de tráfego entre a fronteira e São Paulo e Rio de Janeiro, isso virou assunto recorrente. A Receita Federal tem se preocupado com isso e com a facilitação da legislação, da vida das pessoas que querem fazer as coisas direito'', diz o delegado, lembrando das mudanças no processo de compra de produtos no Paraguai.
''Estamos trabalhando para coibir a distribuição de produtos contrabandeados, de descaminho ou importados ilegalmente, independe de onde sejam comercializados. Para uma ação específica, em um local de grande circulação, seria necessária a participação de vários órgãos, para que cada um cuide da questão que lhe compete. Por exemplo, a pirataria é uma questão criminal, de polícia. Digo isso porque algumas pessoas podem reclamar da posição da Receita'', justifica o delegado.
''A Capitão Gancho 2 foi uma operação para executar uma ordem judicial. Foi um marco, mas mais importante é os órgãos fiscalizadores e a própria sociedade estarem atentos. Precisamos de uma participação social para criar uma educação fiscal'', afirma Oliveira.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informa que tem competência apenas para fiscalizar o comércio irregular praticado por ambulantes, e que as apreensões nesse trabalho de fiscalização aumentaram mais de 250% entre 2009 e 2010. ''A CMTU não se manifesta sobre camelódromos e galerias, porque isso não é de nossa alçada. É da Receita Federal e das polícias. Agora, quando a polícia combate esses laboratórios de mídias piratas, facilita nosso trabalho de fiscalização nas ruas'', aponta Wilson de Jesus, diretor de Transportes da CMTU. (F.G.)





