Delegado considera mentiroso depoimento de cobrador de ônibus
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
Tasso Marcelo/Agência EstadoSuspeitosO advogado Clóvis Sahione (c), chegando à delegacia para apresentar Jorge Mendes (e) e Severino da SilvaRIO - O delegado Mário Azevedo considerou mentiroso o depoimento do cobrador Severino da Silva, que se entregou ontem de manhã junto com o motorista de ônibus Jorge Mendes na 54ª Delegacia de Polícia, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ambos estavam com prisão decretada pela 1ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, acusados de envolvimento na chacina de cinco adolescentes, na quinta-feira da semana passada, que foram retirados à força do ônibus da Viação Santo Antônio, no qual Silva e Mendes trabalhavam, para serem executados, no dia 20.
Azevedo considerou que o cobrador trocou mentiras velhas por novas, por ter dado informações que contradisseram o seu primeiro depoimento no inquérito, tomado no sábado. Antes ele dizia que foram dois homens que levaram os menores, agora disse que foi um só, informou o delegado. Ele não consegue nem dizer qual era a cor do criminoso: antes era branca e agora é negra.
Os dois funcionários deram depoimentos em separado a Azevedo e à promotora Maria Conceição de Oliveira. Eles vão ficar presos na carceragem da 54ª DP, onde também está Cláudio Bicalho da Silva, o Bacurau, acusado de ter fornecido a pistola que teria sido usada por Clóvis SantAnna, principal suspeito de ter executado os menores, ainda foragido.
O advogado Clóvis Sahione, contratado pela empresa Santo Antônio para defender Mendes e Silva, informou que entra segunda-feira com um pedido de revogação do decreto de prisão provisória contra os dois. Eles são testemunhas, não estão envolvidos no crime, disse Sahione, que foi à delegacia com os dois.
Segundo o advogado, nos depoimentos eles contaram que SantAnna, após entrar no ônibus, pulou a roleta, tomou a arma de Bicalho à força, obrigou o motorista a parar o ônibus e retirou os menores, após ordenar-lhes que ficassem com as mãos dentro das bermudas e ter ameaçado atirar no primeiro que tentasse fugir. Sahione afirmou que o motorista e o trocador não informaram imediatamente o incidente à polícia por medo de serem mortos por SantAnna. Esse homem é um psicopata, afirmou.
A principal preocupação do delegado Azevedo é descobrir quem participou da chacina junto com SantAnna, como ele acredita que tenha acontecido. Causa perplexidade que um homem só mate cinco adolescentes sem que nenhum deles tenha tentado fugir, justificou. Segundo Sahione, se outros pistoleiros atuaram no crime, eles teriam se encontrado com SantAnna fora do ônibus.


