Brasília, DF- O delegado Roberto Martins de Barros confirmou ontem à CPI do Tráfico de Órgãos as suspeitas sobre a existência de um esquema clandestino no Hospital de Taubaté (SP) para a retirada de rins de pacientes cujas mortes encefálicas não foram comprovadas. O delegado comandou inquérito aberto em 1987 com base em denúncia feita pelo médico Roosevelt Kalume.
Segundo Barros, vários médicos foram investigados, mas nenhum deles foi indiciado, pois preferiu deixar a tarefa para o Ministério Público. As enfermeiras Rita Maria Pereira e Belmira Ângela Bittencourt, ex-supervisora de enfermagem do hospital, também prestaram depoimento na CPI e confirmaram as suspeitas.
Rita contou que uma vítima de traumatismo craniano foi atendida por um urologista, um dos denunciados, e teve os rins retirados. Segundo ela, a vítima continuou se debatendo. ''O médico fez uma incisão com um bisturi, próximo ao coração, e o paciente parou de se debater.'' Ela afirmou que ele orientou uma enfermeira a guardar os rins numa caixa. Rita contou ainda que suas colegas relatavam, em conversas nos corredores do hospital, que havia um esquema para a retirada de órgãos.

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