Delegado-assistente pede afastamento de prefeito de Pirajuí
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Jair Aceituno (especial para a AE) 
Pirajuí, SP, 07 (AE) - O prefeito de Pirajuí, no interior de São Paulo, José Carlos Ortega Jeronymo, que teve o mandato cassado e hoje governa protegido por uma liminar, poderá ser novamente afastado. O delegado-assistente da Seccional de Polícia de Bauru (SP), Edson Cardia, encaminhou ao Judiciário o pedido de afastamento do prefeito e bloqueio dos bens dele, tomando por base a Lei 8.429/92, que trata dos atos de improbidade administrativa cometidos por agentes públicos.
Tramitam na Seccional de Bauru 14 inquéritos contra Jeronymo, acusando-o de irregularidades administrativas e, segundo o delegado, o prefeito tem obstruído a tramitação dos procedimentos não comparecendo para depor e impedindo que funcionários municipais atendam aos requerimentos para a apresentação de documentos necessários à instrução. Por causa disso, Cardia entende necessário o afastamento para que o prefeito não faça a obstrução e ainda não use o peso do cargo público para pressionar denunciantes e testemunhas.
A representação policial foi apresentada à juíza Graciella Salzman, da 1ª Vara de Pirajuí, que deverá decidir sobre o destino imediato de Jeronymo. Constitucionalmente, os prefeitos têm foro privilegiado e a competência para os julgar é do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, mas, em alguns casos, a Justiça local decide. O mesmo procedimento agora proposto contra o prefeito de Pirajuí foi adotado em 3 de fevereiro contra o prefeito afastado de Bauru, Antonio Izzo Filho (PPB), destituído do cargo pelo juiz Mauro Ruiz Daró. Coincidentemente, o inquérito que levou à decisão de Bauru também foi presidido por Cardia.
Além dos processos judiciais, Jeronymo também sofre um segundo processo de cassação, movido pela Câmara Municipal, que apura pagamentos feitos a uma empresa fantasma. Também em decorrência de obstruções, o processo poderá ser arquivado nos próximos dias por decurso de prazo.


