Delegado afirma que Salles mentiu em depoimento
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Andreia Maia 
Rio, 10 (AE) - O delegado Luiz Torres, da Delegacia de Repressão ao Entorpecente (DRE), disse hoje que o documentarista João Moreira Salles mentiu em seu depoimento, na sexta-feira (07 ) sobre a forma de pagamento do auxílio ao traficante Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP, para que ele escrevesse um livro. Segundo Torres, Salles mandava representante a uma agência do Banco Itaú, na Tijuca, na zona norte, depositar diretamente na conta do traficante os R$ 1.200 mensais.
Salles disse à polícia que uma pessoa ligada a VP retirava o dinheiro em sua produtora. A testemunha que contou como seria o envio do dinheiro vai depor amanhã (11) na delegacia."Pessoas ligadas a Salles iam à agência e depositavam o dinheiro", afirmou o delegado. Ele não revelou o nome da testemunha, alegando que atrapalharia as investigações.
O delegado afirmou que quer provar que o documentarista mentiu em seu depoimento à polícia, dia 7. Salles disse a Torres que o dinheiro era dado a um representante do traficante que ia, todo mês, à sua produtora. "Isso caracteriza que Salles ajudou diretamente Marcinho VP", disse o delegado.
Mãe - Hoje a mãe do traficante, Josefa Amaro de Oliveira
prestou depoimento na DRE. Ela disse saber que o filho recebia uma bolsa, mas negou conhecer o documentarista. Josefa contou que deixou o Morro Dona Marta, na zona sul, cujo comércio de drogas era comandado por VP, em 1987. Foi quando seu filho se envolveu numa guerra com outros traficantes. Atualmente ela mora com duas filhas no Morro Chapéu Mangueira, também na zona sul. Josefa afirmou ao delegado que não sabe onde o filho está.
O delegado Torres também ouviu o presidente da Casa de Cidadania do Dona Marta, André Fernandes, responsável pelo projeto conhecido como "favelania", que, segundo ele, visa resgatar a cidadania dos moradores. Em seu depopimento, Fernandes disse que teve pouco contato com o traficante e que desconhecia que ele fosse ajudado por Salles.
Fernandes contou ter abandonado o morro há cerca de um mês, depois que foi publicado na imprensa que o traficante Zacarias Gonçalves Rosa, o Zaca, que invadiu a favela, o teria ameaçado. "Não sabia que corria risco de vida, mas fiquei com medo e saí do morro", afirmou. Torres considerou o depoimento de Fernandes "escorregadio".


