O soldado Joel de Lima Santa Ana responde a inquérito criminal na Delegacia de Homicídios e um processo interdisciplinar na Polícia Militar. O delegado Fauze Salmen, titular da Homicídios e responsável pelo inquérito, afirma que os laudos do Instituto de Criminalística não deixam dúvidas de que a bala partiu da arma do soldado. ‘‘Os laudos foram todos feitos. Não há dúvida’’, declarou ele, ao informar que pediu mais 30 dias para conclusão do inquérito, que está na fase final.
Faltam ainda anexar aos autos os laudos das viaturas que foram danificadas e da blusa que o sem-terra Antonio Tavares Pereira usava no momento do disparo. ‘‘Com isto, teremos tudo pronto para fazermos a análise final’’, complementou Salmen, o primeiro a dizer para a imprensa que o projétil teria atingido o solo antes de acertar a vítima.
A Folha procurou o diretor do Instituto de Criminalística para dar mais detalhes sobre o caso, mas foi informada que José Lourenço Bueno está no interior do Estado e retorna apenas na segunda-feira. Já na Polícia Militar, o processo interdisciplinar deverá ficar pronto nos próximos dias.
Ontem, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Edson Praczyk (PL), disse que os deputados concluíram que nem o governo do Estado e nem o MST estão preocupados em esclarecer o episódio envolvendo a morte do sem-terra. ‘‘Concluímos que não houve latente interesse nem do MST, nem da PM, para o esclarecimento dos fatos’’, afirmou. A comissão deve aprovar, na terça-feira, o relatório final sobre a apuração da violação dos direitos humanos durante o conflito. (L.P.)

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