Maceió, 24 (AE) - O delegado Antonio Carlos Lessa, da Polícia Civil de Alagoas, que comanda as novas investigações sobre as mortes do empresário Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino, disse hoje ter achado estranho a mudança de posição da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, sobre os erros cometidos no laudo do médico legista Fortunato Badan Palhares. "Para a polícia alagoana, até agora, o laudo de Palhares tinha o aval da equipe da Unicamp", afirmou Lessa, sem querer se aprofundar nessa polêmica.
Para o delegado, o fato de a Unicamp ter reconhecido erros no laudo de Palhares é importante porque reforça a tese de duplo homicídio, que a polícia alagoana vem tentando provar. "A diferença entre a verdadeira altura de Suzana e aquela colocada no laudo assinado pela equipe de Palhares muda a trajetória da bala e põe por terra a possibilidade de ela ter cometido suicídio", afirmou o delegado. "Suzana tinha 1,57 metro de altura e não 1,67 metro, como consta no laudo de Palhares", acrescentou.
Lessa também considerou estranho que a família de Suzana não tenha sido ouvida durante a primeira fase do inquérito, presidida pelo delegado Cícero Torres. Na época, Torres dizia que o depoimento da família era irrelevante. No fim de semana, Lessa e o delegado Alcides Andrade de Alencar foram a João Pessoa e corrigiram essa falha. Lá, eles ouviram a mãe, o padrasto, a irmã e o irmão de Suzana.
"Foram depoimentos extremamente valiosos para as investigações", afirmou Lessa. Segundo ele, a mãe de Suzana, Maria Auxiliadora, revelou que, quando os seguranças arrombaram a janela do quarto do casal, PC estava morto, mas a filha dela estava viva. Essa informação foi fornecida pelo cabo da Polícia Militar Reilnaldo Correia Lima (ex-chefe dos seguranças de PC) ao padrastro de Suzana, Eraldo Rodrigues Lisboa. O delegado disse que vai realizar uma acareação entre os dois para saber quem está falando a verdade, uma vez que Lima afirmou, durante a reconstituição do crime que, quando arrombou a janela Suzana, estava morta ao lado de PC.
Esta semana, os delegados que estão à frente do caso irão ouvir os depoimentos do secretário estadual de Justiça de Alagoas, Rubens Quintella, e do ex-secretário de Segurança Pública, coronel José de Azevedo Amaral. Os dois foram as primeiras autoridades policiais a chegar ao local onde os corpos de PC e Suzana foram encontrados, na manhã de 23 de junho de 1996. Os delegados e o promotor Luiz Vasconcelos (que vem acompanhando essa nova fase de investigação desde o início) decidiram deixar os depoimentos dos seguranças de PC por último.
A estratégia dos delegados aumenta as suspeitas sobre o envolvimento dos seguranças pelo menos na morte de Suzana. Lessa e Alencar não assumem claramente, mas comentam a possibilidade de indiciar os seguranças que estavam na casa no dia do crime: os PMs Reinaldo, José Geraldo, Adeildo Costa Santos e Josimar Faustino dos Santos. Para os delegados, um dos quatro deve ter dado o tiro em Suzana, usando o mesmo revólver que matou PC. Se a autoria material não for revelada, os seguranças poderão ser indiciados na condição de co-autores.

mockup