Curitiba - A Polícia Rodoviária Federal (PRF), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), prendeu ontem à tarde, na BR-277, no município de Laranjeiras do Sul (Centro-Oeste), o delegado Silvan Rodney Pereira, ex-titular da Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba).
Desde a noite de quinta-feira, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que o delegado era considerado foragido. Ele era o único entre as 14 pessoas que tiveram o mandado de prisão preventiva expedido pela 1ª Vara Criminal de Colombo, que ainda não tinha se apresentado dentro do prazo pedido pela Justiça.
Conforme informações da PRF, o veículo em que o delegado foi abordado por volta das 16h40 no posto do órgão. Ele estava com a esposa e duas filhas, e seguia para Curitiba. O Setor de Inteligência da PRF tinha sido comunicado pelo Gaeco sobre a possibilidade do delegado passar pela rodovia e entrou em contato com os agentes lotados em Laranjeiras do Sul. Após a abordagem, Pereira foi encaminhado para a delegacia da cidade e os familiares liberados para seguirem viagem.
A Corregedoria da Polícia, por meio da assessoria de imprensa, também informou que Pereira seria encaminhado para a capital ainda na noite de ontem. Ele deve permanecer em uma cela especial para delegados localizado num prédio anexo ao 1º Distrito Policial (DP), no centro de Curitiba.
Todos são considerados suspeitos de envolvimento com práticas de tortura contra os quatro rapazes inicialmente acusados de serem autores do assassinato da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos. Os homens teriam sofrido agressões para confessar o crime. O pedido de prisão foi feito pela Corregedoria em conjunto com o Gaeco na última segunda-feira. A Justiça acatou o pedido na quarta-feira à tarde.
Os demais detidos estão, em sua maioria, na carceragem da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) de Curitiba. Entre os presos estão nove policiais civis, um guarda municipal e um agente carcerário. O policial militar que também se apresentou está no Quartel da PMPR; e o homem que já estava preso foi transferido da Delegacia de Araucária para outra unidade prisional.
O advogado Cláudio Dalledone Júnior, que representa Silvan Pereira, informou que não vai se manifestar sobre o assunto até ficar a par de toda situação.
A Corregedoria do Departamento de Execução Penal do Paraná (Depen) informou ontem que a sindicância aberta para apurar a suposta participação de agentes penitenciários e agentes de cadeia pública na prática de tortura foi concluída. O relatório agora será encaminhado para a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju). O resultado da sindicância e as medidas que serão tomadas serão anunciadas nas próximas semanas.

Sindicatos
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol-PR) e o Sindicato Estadual da Polícia Civil no Paraná (Sinclapol-PR) emitiram ontem notas oficiais criticando a atuação do Gaeco. "Os policiais poderiam ser intimados para serem ouvidos, portanto a prisão é uma medida injusta, covarde e temerária", ressalta a nota encaminhada pelo Sidepol-PR. Já o Sinclapol destacou que "os policiais são servidores públicos e dispostos a comparecer a todos os chamados da Justiça e isto foi desconsiderado".

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