Delegado admite existência de golpes
Curitiba - No Paraná, as estatísticas não são fechadas. As queixas são levadas para o Tático Integrado de Grupamento de Repressão Especial (Tigre), para o Centro de Operações Policiais Especiais (COPE) e para a Delegacia de Estelionato. ''Esses golpes ocorrem diariamente. É uma extorsão mediante falso sequestro. É um tipo de estelionato'', definiu o delegado titular do COPE, Miguel Stadler.
O falso sequestro começou a ser realizado há três anos por presos do Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje está generalizado. ''Hoje os golpes são feitos por custodiados e por outros estelionatários. O crime está banalizado. Os criminosos procuram trabalhar com o lado emocional, fazendo crer que não existe a possibilidade de se procurar ajuda policial. Às vezes, eles colocam uma terceira pessoa ao fundo para gritar - dando ar de veracidade. No desespero, faz-se qualquer coisa''.
A orientação de Stadler é que as pessoas procurem sempre ajuda de um profissional (polícia), tenham calma, evitem tentar por si pegar os autores do delito. ''O desgaste emocional é muito grande. Muitas pessoas precisam de acompanhamento psicológico por alguns dias''. O engenheiro L.A.C., de 65 anos, foi uma das vítimas de sequestro virtual.
Após dias de perseguição dos presos (telefonemas em casa, em celulares, no trabalho), ele contratou seguranças particulares e precisou de tratamento psiquiátrico para aceitar o tormento. Ele não consegue esquecer. As casas estão protegidas com arame cercado e ele teme ser descoberto pelos criminosos (devido as ameaças feitas por não ter feito depósito em dinheiro solicitado pelos presos). Meses após o incidente, o engenheiro ainda evita falar sobre o caso.(L.P.)





