Delegado acusado de envolvimento com o crime organizado no PR continua desaparecido19/Mar, 16:17 Por Evandro Fadel Curitiba, 19 (AE) - Dos 15 policiais civis paranaenses que tiveram prisão temporária decretada pela Justiça no início do mês em razão das acusações de participar do esquema de narcotráfico, apenas um não foi detido: o ex-delegado-geral João Ricardo Keppes de Noronha. Na sexta-feira à noite, o investigador Mauro Canutto apresentou-se ao delegado da Divisão de Investigações Criminais (DIC), Clóvis Galvão, e está detido em uma das celas da Delegacia de Furtos de Veículos, em Curitiba juntamente com outros 12 detidos. O policial Paulo Serafim, que também tinha se apresentado, já foi liberado, por não ter sido reconhecido pelas testemunhas que o acusaram. Os policiais estão sendo acusados de pertencer a quadrilhas responsáveis pelo crime organizado no Paraná, com envolvimento no narcotráfico, desmanches de veículos, roubos de cargas e até sequestro de crianças. As denúncias foram feitas por testemunhas ouvidas pelos membros da CPI do Narcotráfico, durante a passagem por Curitiba. A maioria dos policiais citados apresentou-se espontaneamente ao delegado da DIC. Apenas o policial Homero Andretta Baggio precisou ser preso em uma casa no Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Mauro Canutto foi denunciado como chefe de uma das principais quadrilhas de demanche de veículos em Curitiba. Ao ser afastado das funções pelo governador Jaime Lerner, tão logo teve o nome citado na CPI, Canutto estava trabalhando na Delegacia de Homicídios. Antes, ele já tinha atuado na Divisão de Segurança e Informações, sob o comando de Noronha, e na Delegacia de Estelionato. Canutto deve ser um dos principais acusados a serem ouvidos pela CPI em Brasília. O advogado de Noronha, Luiz Alberto Machado, entrou há mais de uma semana com pedido de revogação da prisão temporária do ex-delegado-geral. Ele alega que não há provas que sustentem a prisão, visto que a decretação baseou-se em acusações de testemunhas presas, algumas delas pelo próprio delegado acusado. Machado também argumenta que não há garantias de segurança de vida, caso Noronha seja preso. O pedido pode ser apreciado esta semana pelo Tribunal de Alçada do Paraná.