São Paulo, 04 (AE) - O delegado Naief Saad Neto, que participa das investigações da máfia dos fiscais e outras irregularidades na Prefeitura de São Paulo, instaurou inquérito para apurar casos de cobrança de propinas na Administração Regional da Mooca.
Na segunda e na terça-feiras, foram ouvidos cinco vendedores ambulantes, localizados pela polícia, que acusaram cinco funcionários da fiscalização de cobrar propina de camelôs que não dispõem de autorização para que pudessem continuar trabalhando.
Policiais apuraram que os fiscais do rapa exigiam que os marreteiros pagassem R$ 120,00, uma vez por mês. Eles também tinham a opção de pagar semanalmente. Nesse caso, porém, o valor cobrado dobraria, já que deveriam pagar R$ 60,00 por semana.
"Encaminhei um ofício à Administração Regional da Mooca para que todos os funcionários da fiscalização apresentem-se na polícia na próxima semana", afirmou o delegado. Ele pretende que os ambulantes que denunciaram a extorsão tenham a oportunidade de reconhecer os fiscais.
Dos cinco camelôs, quatro trabalham na Rua Tuiti, perto da Estação do Metrô. O outro, que diz estar há 12 anos na profissão e afirma trabalhar próximo de um shopping center, contou para os policiais que é obrigado a pagar propinas há 8 anos.
Denúncias - Os vendedores ambulantes contaram que desde que decidiram não pagar mais propinas têm sido constantemente perseguidos pelos cinco fiscais acusados. De acordo com Saad Neto, já existem várias denúncias anônimas sobre irregularidades envolvendo funcionários da Mooca, registradas pela polícia, nas últimas semanas. "No inquérito, vamos apurar essas informações." Na próxima semana devem ser convocadas outras testemunhas para depor.
A Administração Regional da Mooca, que já esteve sob o controle do deputado José Índio (PFL), atualmente é controlada politicamente pelo vereador Toninho Paiva, também do PFL.
Balanço - Desde o início das investigações sobre as irregularidades, há seis meses, 90 funcionários da administração municipal foram afastados de suas funções. A polícia indiciou mais 50 pessoas, entre elas os vereadores Vicente Viscome e Maeli Vegniano (ambos sem partido), José Izar (PFL) e o ex-secretário das Administrações Regionais Alfredo Mário Savelli.

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