Delegada pede prisão de nove acusados de aliciar menores
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quarta-feira, 26 de julho de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
O Centro Integrado de Atendimento ao Turista e à Mulher de Foz do Iguaçu enviou ontem à 3ª Vara Criminal da cidade o pedido de prisão preventiva de nove pessoas acusadas de aliciar menores e enviá-las a prostíbulos argentinos, onde trabalhariam em regime de escravidão, utilizando documentos falsos.
A solicitação foi feita pela delegada que coordena o centro, Daisi Teresinha Dorigo Barão, depois de dois meses de investigações, onde foram contatadas mais de 30 pessoas, entre traficantes, donos de boates e 12 mulheres que foram exportadas para a Província de Córdoba (região central da Argentina), cidade onde eram obrigadas a se prostituírem.
Segundo Daisi Barão, a quadrilha pode ter um número maior de integrantes. Temos outro inquérito envolvendo um casal de aliciadores em Foz, que mostrou ligações muito estreitas com estes nove acusados. Caso o pedido de prisão seja confirmado, sabemos a localização de pelo menos três envolvidos, explicou a delegada, que evitou citar nomes para não assustar os suspeitos.
A delegada confirmou que as principais responsáveis pelo tráfico de mulheres seriam Nelci de Fátima Weizemann (conhecida sob o pseudônimo de Fernanda), Ilse Reolon (irmã de Nelci apelidada de Paula) e a sobrinha Sidinéia Rolon.
Há sete meses, a Folha entrevistou uma das mulheres levadas à Córdoba (pseudônimo Márcia), que explicou como funcionava o esquema da quadrilha. Eles oferecem um salário de R$ 3 mil, mas na verdade não pagam nada. Se não conseguíssemos a cota mínima (10 programas por dia), apanhávamos de mangueira de borracha e éramos colocadas de castigo no pátio interno da casa sem roupa e sob um frio de até 2 graus, disse a moça de 23 anos, lembrando ainda que 12 menores brasileiras estavam trabalhando, na época, portando documentos falsos.


