Delegada é executada em SP com um tiro na nuca
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de dezembro de 1998
Cláudia de Castro Lima e Mariana Weber Agência Folha 
A delegada de polícia Fátima Abraão Brunelli, 40 anos, foi assassinada por volta de 20 horas de sábado com um tiro certeiro na nuca. O crime aconteceu em Santo Amaro (zona sul de São Paulo). Fátima morreu quando estava indo trabalhar no plantão do 92º DP (Parque Santo Antônio).
Ela trafegava com seu Palio vindo pela avenida João Dias, quando
apareceram dois homens numa moto vermelha. Uma testemunha contou que a
moto, que não tinha placa, encostou ao lado do carro. Os dois homens
falaram algo para a delegada, que teria ameaçado abaixar o vidro do Palio. Nesse momento, um deles sacou uma pistola 380 e deu um tiro na direção de Fátima. A bala entrou por trás da orelha, atravessou a cabeça, saiu pela boca e tornou a entrar no ombro da policial. O mesmo tiro ainda quebrou o vidro do lado direito do carro. A delegada ainda foi levada com vida ao Hospital do Campo Limpo, mas não resistiu ao ferimento e morreu ao dar entrada.
O delegado Romeu Tuma Júnior, que está respondendo interinamente pela
Seccional Sul, disse que não acredita em latrocínio (roubo seguido de morte).
As coisas dela estavam no banco do carro. Carteira, dinheiro, tudo,
disse ele. Os bandidos não quiseram levar nada. Para Tuma Júnior, Fátima foi morta por vingança. Não podemos descartar hipótese alguma na investigação, mas o mais provável é que ela tenha sido executada.
O assassinato da delegada Fátima Abraão Brunelli pode estar ligado a um grupo que agiria dentro dos muros da Penitenciária do Estado, no Carandiru (zona norte), facilitando a fuga de presos.


