Delegacias têm uma fuga a cada três dias
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Paraná já registrou quatro fugas em carceragens de delegacias desde o início de 2015, o que significa uma média de uma a cada três dias. A última delas aconteceu na madrugada de ontem, no 3° Distrito Policial (DP) de Curitiba, localizado no bairro Mercês. Um grupo de 16 presos quebrou os cadeados das celas e escapou pelo solário, às 2h30, no momento em que a região era atingida por uma forte chuva. O local abrigava 22 detentos, num espaço destinado a dez. Não houve feridos ou reféns. Até o fechamento desta edição, nenhum fugitivo havia sido recapturado.
Também ontem, aconteceu um princípio de tumulto no 11º DP, que fica na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e funciona como uma espécie de centro de triagem. Os presos estouraram todos os cadeados das celas e serraram várias grades. Neste caso, porém, os próprios policiais perceberam o ocorrido e acionaram o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que impediu a fuga. Por volta de 12 horas, houve a recontagem e a situação foi normalizada. A unidade conta hoje com 157 internos, mas a polícia não soube informar qual seria a sua real capacidade.
Neste ano, ocorreram fugas na Lapa (Região Metropolitana de Curitiba), no dia 1º, de sete detentos; em Ivaiporã (Norte), no dia 3, de seis; e em Bela Vista do Paraíso (também no Norte do Estado), no dia 4, de nove presos. Dos 38 fugitivos (incluindo os 16 do 3º DP), 15 foram recapturados (três, quatro e oito, respectivamente). A situação na Lapa resultou na remoção do delegado Michel Teixeira de Carvalho, substituído por Vinícius Fernandes. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), a mudança teve como objetivo garantir mais rigor nas investigações, uma vez que foram constatadas várias irregularidades no local a cela, por exemplo, estava sem cadeado.
Problema recorrente
Em 2014, a Secretaria de Estado da Justiça e Direitos Humanos (Seju), que até então era a responsável pelo sistema penitenciário, anunciou o fechamento de todas as carceragens da capital paranaense. A medida, que paulatinamente seria estendida aos demais municípios do Estado, atendia a uma recomendação da Lei de Execuções Penais (LEP). A legislação determina que os condenados cumpram as penas em presídios e que os que ainda aguardam julgamento permaneçam em cadeias públicas. Apesar do anúncio, os detentos continuam abarrotando as unidades provisórias.
Segundo a Sesp, cerca de nove mil presos estão hoje em delegacias do Paraná, sendo 353 em Curitiba e 601 na Região Metropolitana. Empossado em dezembro, o secretário Fernando Francischini estabeleceu um novo prazo, de dois anos, para solucionar o problema das carceragens "de forma definitiva". Para isso, ele diz contar com a construção e/ou a reforma de 20 unidades prisionais, uma das principais promessas do governador reeleito Beto Richa (PSDB) neste segundo mandato.


