Curitiba - A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) pediu que a Secretaria de Estado da Segurança Pública tome uma providência com relação à falta de dinheiro para comprar alimentos para os presos das 194 delegacias do Estado. A denúncia teria partido das delegacias de Matinhos e de Pontal do Paraná.
Segundo a vice-presidente da Comissão da OAB-PR, Isabela Mendes, foi descoberto que 194 delegacias estariam sem receber o repasse mensal de dinheiro para a compra de alimentos para os presos desde novembro. ''Há delegados que estão comprando fiado para conseguir garantir a comida dos detentos. Tem outros que estão contando com a colaboração de empresários (do setor alimentício), que levam sobras de frutas, legumes e verduras'', comentou.
Isabela ressalta que uma das maiores preocupações, além de garantir o direito à alimentação, é manter a paz nas carceragens. ''Eles estão presos e sem comida fica ainda muito mais arriscado; os ânimos podem se exaltar e eles provocarem confusões, colocando em risco até a segurança da população'', argumentou.
Ao procurar pela Sesp anteontem, Isabela comentou que a chefia do órgão garantiu que os repasses referentes ao mês de dezembro foram feitos na quinta-feira e que os de janeiro serão pagos na próxima semana. No entanto, ela ressalta que só vai poder confirmar se isso realmente foi feito na próxima segunda-feira.
Procurados pela reportagem, diversos setores da Sesp não quiseram se pronunciar sobre o que teria provocado os atrasos nos repasses nem informar se a situação já foi resolvida.
Em Londrina não houve atraso ou falha na entrega de alimentação para os presos. Conforme o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Márcio Amaro, a cidade é atendida por uma empresa que venceu licitação realizada pelo governo do Estado para fornecimento de marmitas. ''Não tivemos esse problema enfrentado por outros municípios porque aqui temos essa facilidade'', explicou. Segundo ele, a cidade conta com 250 vagas nos distritos policiais, mas atualmente abriga 484 presos.(Colaborou Michelle Aligleri)

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