São Paulo, 28 (AE) - Se estivesse empenhada em evitar rebeliões, bastaria à direção do Complexo Tatuapé enviar um funcionário ao 81.º Distrito Policial, a apenas 750 metros da portaria do quadrilátero. Lá, estão registrados, entre 1.º de janeiro e dia 20 deste mês, 216 boletins de ocorrência que têm ligação direta com os internos. Em algumas horas, seria possível "descobrir" que a maior parte dos problemas vem de brigas entre os internos (35,64%). Em seguida, aparecem fugas ou tentativas de fugas (25,46%) e porte ou uso de drogas (10,18%).
Como resultado da última rebelião foram transferidos os internos considerados "cabeças" dos motins. Muitos, já maiores de idade, foram para o Carandiru. O participação de maiores nas ocorrências mais recentes também aparece nos boletins. Das cinco ocorrências registradas entre os dias 15 e 20, quatro envolviam internos que não deveriam mais estar na Febem. Em todo o ano, 16 ocorrências (7,4%) resultaram no indiciamento de internos com mais de 18 anos.A maior parte das agressões entre os internos tem origem em "motivos fúteis", como dívida de jogo de pebolim ou a tentativa de um menor de arrancar a sobrancelha de outro à noite.
Na avaliação de um dos diretores do Sindicato dos Funcionários da Febem, Wilson Roberto da Luz, esse é um "sintoma" de que faltam funcionários. "Mais gente evitaria essas agressões ", acredita. "A Febem não cumpre a determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de manter um monitor para cada dez meninos."
Fugas - A análise dos boletins mostra que fugir das unidades da Febem na zona leste de São Paulo não é muito complicado. Basta pular o muro ou o alambrado. Também são relativamente comuns fugas de pronto-socorros, para onde os meninos são levados depois de agressões. "Está muito fácil fugir."
O diretor do sindicato também critica a política da direção de não fazer revistas periódicas nas unidades e de extinguir a revista dos visitantes, que hoje só passam pelo detector de metais. "Nunca houve tantos problemas com drogas como agora." Na maior parte dos casos relacionados a drogas, os menores portavam ou usavam maconha. O tóxico, conforme mostram os boletins de ocorrência, é obtido durante as saídas dos internos em semi-liberdade ou liberdade assistida.
A Assessoria de Imprensa da Febem informou hoje à tarde que não havia ninguém lá que pudesse comentar esses dados.

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