Delegacia investiga despejo de esgoto em rios e canais da zona oeste do Rio
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 28 (AE) - A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente do Rio abriu inquérito criminal para investigar o despejo de esgoto produzido por condomínios de luxo da zona oeste da cidade em rios e canais da região. Segundo especialistas, grande parte das águas da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes - incluindo as praias - está contaminada pelo lixo jogado sem tratamento.
Onbtem (27), a delegacia recebeu uma denúncia de que a empresa particular águas de São Jorge, que coleta resíduos sólidos de esgoto dos prédios, teria despejado 8 mil litros de esgoto na Lagoa Camorim, em Jacarepaguá, também na zona oeste. Os supostos responsáveis pelo despejo poderão ser enquadrados na Lei de crimes ambientais. "Eles poderão pegar de 1 a 5 anos de prisão por causar dano à saúde humana e ao meio ambiente", explicou a delegada Adriana Pires. Hoje, a delegada esteve na sede da empresa e constatou que ela dá de fundos com a Lagoa Camorim. No local foram encontrados canos que seriam usados para lançar os detritos no local. A delegada contou que encontrou a firma de portas fechadas e que não havia qualquer funcionário. "Na semana que vem, vou mandar uma equipe diariamente, até conseguir encontrar alguém que nos dê explicações sobre a infração", disse. As empresas precisam de autorização da Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema) para operar. Caso não possua o alvará, os donos poderão ter sua pena aumentada, segundo a delegada. Falha - O oceanógrafo David Zee, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), disse que a região da Baixada de Jacarepaguá - que inclui quase todos os bairros da zona oeste da cidade - não tem infra-estrutura suficiente para tratar o esgoto produzido pelos cerca de 700 mil moradores. "Não há estação de tratamento na área e as empresas de coleta não despejam o lixo nos aterros sanitários, que são locais apropriados", disse Zee.
A poluição não se restringe aos canais e lagoas da área, segundo o oceanógrafo. "Estudos mostram que até o fim deste ano toda a extensão da praia da Barra (antes considerada a mais limpa do Rio) estará contaminada por causa da falta de um emissário submarino que trate o esgoto", afirmou. De acordo com Zee, a praia do Recreio também poderá ficar poluída.


