O assistente de segurança Nicanor Higino Ravagnani, que ocupa o cargo de delegado de Florestópolis, vive na cidade há 40 anos e diz que ela continua tão tranquila quanto nos anos 60. Segundo Ravagnani, as ocorrências policiais vêm caindo ano a ano, embora lembre que há anos a cidade não dispõe de investigador, nem escrivão.
Pelas estatísticas, Florestópolis, com aproximadamente 14 mil habitantes, está conseguindo diminuir consideravelmente os já baixos índices de criminalidade. Em 1997, foram 126 termos circunstanciados, no ano seguinte 78, no ano passado, 55, e no primeiro semestre deste ano 23. Ravagnani descarta a possibilidade de que a polícia tenha entrado em descrédito junto à população e isto tenha se refletido na falta de interesse das vítimas em registrar os crimes. ‘‘Aqui isto não existe. A cidade é pequena e a gente sabe de tudo’’, sustenta.
Os delitos mais comuns, segundo o delegado, são os relacionados à miséria, como furto de botijões de gás e bicicletas. Este ano, foram registrados cinco arrombamentos a residências e ninguém foi preso por este tipo de crime.
A Folha apurou junto aos moradores que este tipo de crime é muito comum e não é registrado justamente pelo receio das vítimas que conhecem os infratores (quase sempre gangues de adolescentes) e temem represálias, principalmente a depredação das casas. Somente em uma quadra de uma das regiões mais pobres da cidade, quatro casas foram invadidas e tiveram eletrodomésticos furtados. ‘‘Às vezes, os moradores se descuidam. Viajam e deixam a casa vazia’’, justifica o delegado.
A Polícia Militar apreendeu 20 adolescentes este ano, entre eles, uma aluna de 13 anos do Colégio Estadual Eudice Ravagnani de Oliveira, que portava uma faca. Não há registros de menores usando armas de fogo. ‘‘Aqui ninguém tem dinheiro para isto’’, garante. Porém, ficou conhecido na cidade o caso de três menores – C.B.S., 16 anos, M.P.O., 15 e E.C., 15 – que entraram em uma oficina e furtaram duas espingardas e uma pistola que estavam no conserto. Eles foram presos, mas liberados em seguida. O mesmo grupo arrombou um supermercado da cidade, levou R$ 200,00 do caixa, 30 CDs e 120 pacotes de cigarro.

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