Delegacia da mulher pode ampliar atendimento
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sexta-feira, 21 de junho de 2002
Mônica Kaseker<BR>quipe de Folha 
Curitiba - A delegada de Curitiba, Darli Rafael, está reivindicando a transformação da Delegacia da Mulher, da qual é titular, em Delegacia da Mulher e Assuntos da Família. Segundo ela, o atendimento às crianças e adolescentes vítimas de violência já é feito extra-oficialmente pela delegacia há quatro anos, já que se tratam de assuntos interligados. A ampliação de suas prerrogativas representaria o aprimoramento dos serviços, com mais recursos e pessoal.
Não faz sentido criar uma nova estrutura para fazer o que já estamos fazendo. A Polícia Civil não tem recursos humanos, nem materiais para isso, defende. Na próxima terça-feira, às 17 horas, a procuradora geral da Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, deve se reunir com o secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares, e a secretária da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner, para discutir a criação de uma delegacia especializada em crianças vítimas de violência em Curitiba. A procuradora preferiu não falar sobre o assunto antes da reunião.
A delegada Darli Rafael diz que tem defendido a idéia da Delegacia da Mulher e Assuntos da Família há anos, mas há três meses entregou um projeto detalhado ao secretário José Tavares e ao delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro. Se uma mãe e um filho vítimas de violência chegam até a delegacia é natural que os dois sejam atendidos aqui. Se houver uma Delegacia da Criança, vamos ter que seccionar o atendimento, argumenta.
O projeto da delegada Darli Rafael prevê que a delegacia tenha um setor específico para o atendimento aos idosos e a criação de um Centro Integrado de Atendimento à Família, com a participação das secretarias estadual e municipal da criança, Ministério Público, defensoria pública, Conselho do Idoso e seção Médico-Legal.
No documento encaminhado ao secretário, a delegada argumenta que durante os 11 anos de existência do SOS Criança já foram atendidas 32 mil crianças e adolescentes vítimas de violência. Desde que foi criada em 1985, a Delegacia da Mulher atendeu mais de 83 mil pessoas. Nos últimos cinco anos, estão incluídos nesta estatística crianças e adolescentes trazidos pelos pais, mães ou mesmo através do SOS Criança.
Só este ano, foram 43 casos de abuso sexual e 12 ocorrências de agressão registrados na delegacia. Os casos de abuso acabam sendo subnotificados, porque na maioria das vezes a violência acontece dentro de casa e é praticada pelo padrasto ou pai da criança e a mãe acaba não denunciando por medo ou para não perder o marido. Do total, em 16 casos o autor da violência foi o padrasto, em outros seis foi o próprio pai e em quatro casos foram outros parentes.
Já no SOS Criança foram registradas 1.111 denúncias de violência doméstica até maio, sendo 65% dos casos de violência física, 28% de negligência, e 7% de abuso sexual.


