Delegacia abre inquérito para apurar fraude em pagamentos
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Eliane Azevedo 
Goiânia, 10 (AE) - A Delegacia de Crimes contra a Fazenda Pública e o Ministério Público Estadual (MPE) de Goiás abriram inquéritos para apurar se houve fraude em pagamentos realizados pela Secretaria de Comunicação (Secom) do Estado, durante o governo de Maguito Vilela (PMDB), afilhado político do senador Íris Rezende (PMDB-GO) e hoje senador pelo partido. Segundo o promotor Umberto Machado de Oliveira, há uma estimativa de que o desvio tenha sido de R$ 1 milhão.
Hoje, Oliveira, que é encarregado do inquérito civil, ouviu o ex-funcionário da Secom Vagner Miranda, cuja conta bancária teria sido usada para depósito de quantias desviadas. Segundo o promotor, há provas de que houve essa movimentação financeira e Miranda consentiu na quebra do sigilo bancário. O delegado Humberto Teixeira, responsável pelo inquérito criminal, acha que a estimativa de R$ 1 milhão pode ser alterada. "Fizemos esse cálculo quando tínhamos em mão cerca de 40 cheques desviados, mas, agora, vamos examinar entre 600 e 700 cheques e poderemos encontrar mais alguma coisa", disse.
A fraude aconteceria de duas maneiras básicas: uma, a duplicidade de pagamentos, com emissão de duas ordens iguais; a outra, o desvio do cheque administrativo destinado a empresas prestadoras de serviços - o pagamento seria efetuado, mas outra pessoa receberia o dinheiro no lugar da empresa. No entanto, ficou comprovado apenas um caso de duplicidade, no valor de R$ 35.253,00. A polícia e o Ministério Público estão analisando as ordens de pagamento emitidas pela Secom nos quatro anos de governo e as ligações telefônicas e movimentações financeiras dos envolvidos, o ex-secretário Gean Carvalho e o ex-superintendente administrativo Ideraldo Lopes. Ontem (09), um exame grafotécnico em ordens de pagamento comprovou que as assinaturas eram dos dois.
"Nunca neguei que era a minha assinatura", afirmou Carvalho. "Mas eu apenas assinava as ordens e, se houve desvio, nunca soube." Ele garantiu nada saber a respeito do pagamento duplicado confirmado nas investigações e afirmou que o inquérito policial tem fundo político. "O delegado está sendo orientado pelo Palácio das Esmeraldas", disse Carvalho, referindo-se ao governador Marconi Perillo (PSDB), ferrenho adversário político de Rezende e Vilela.


