Curitiba- O secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, atacou ontem em Brasília a Medida Provisória (MP) 157 que prevê a liberação de armas de fogo para as Guardas Municipais de cidades com menos de 50 mil habitantes, desde que elas estejam integradas à região metropolitana de uma cidade grande. A crítica foi feita no Colégio Nacional de Segurança Pública, que reúne secretários de Segurança de todos os estados e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A MP foi aprovada esta semana no Congresso, e irá para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos próximos dias.
Delazari acredita que a nova legislação pode significar a criação de Guardas Municipais a serviço dos prefeitos. ''É temerário distribuir armas para pessoas que não têm o preparo e a formação dos policiais civis e militares. Vão ser criadas verdadeiras milícias a serviço de interesses políticos regionais, quando a questão da Segurança tem que ser tratada com uma visão abrangente, por ser um problema nacional'', afirmou.
O secretário do Paraná acredita que a distribuição de armas no atual momento político é uma péssima estratégia. ''Justamente quando se aprova o Estatuto do Desarmamento, libera-se mais armas para municípios pequenos, onde a fiscalização às vezes é dificultada por problemas políticos. Isso vai criar um descontrole absoluto no sistema nacional de restrição de armas. Isso sem contar que estamos em ano de eleições municipais, e vários candidatos vão se arvorar como salvadores da pátria, prometendo o aumento da segurança basicamente com o reforço do armamento. Não é assim que se combate a criminalidade'', protestou Delazari.
Segundo o secretário, o veto ao armamento é defendido por todos os secretários estaduais de Segurança e delegados-gerais de Polícia do Brasil. ''Mostramos nossa posição ao ministro Thomaz Bastos, que se comprometeu a levar nossa posição ao presidente Lula. A segurança é um problema nacional que não pode ser tratado dessa maneira. Seria muito mais útil que o governo federal cumprisse suas resoluções e repassasse as verbas aos governos estaduais para equipar melhor as polícias, coisa que não aconteceu até agora'', alfinetou Delazari.
O secretário municipal de Defesa Social de Curitiba, Sanderson Diotalevi, discorda da posição de Delazari. Diotalevi integra o Conselho Nacional de Guardas Municipais, representando a região sul do País. ''A realidade das Guardas Municipais é bem diferente da imaginada por certas pessoas. Não são pessoas sem preparo, mas sim profissionais integrados à comunidade. Essas pessoas desempenham papel fundamental na manutenção da segurança nas cidades, e necessitam estar aparelhadas de acordo'', afirmou.

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