São Paulo, 13 (AE) - O superintendente da Receita Federal em São Paulo, Flávio Del Comuni, depôs hoje (13) na CPI do Narcotráfico e conseguiu convencer a maioria dos deputados membros da comissão de que não tinha participação no esquema internacional de tráfico de drogas e armas no Porto de Santos, contrariando a expectativa criada na imprensa devido a declarações de alguns parlamentares. No final da sessão, alguns deputados chegaram inclusive a parabenizar o trabalho do superintendente, por ter conseguido elevar a arrecadação e o número de apreensões no porto paulista. Restou a crítica de que, durante os três anos em que comanda a receita, Del Comuni não apreendeu drogas ou armas no porto de Santos.
O depoimento de Del Comuni, que durou cerca de três horas, era um dos mais esperados da CPI. Desde que chegaram em São Paulo, alguns deputados insinuavam que o superintendente seria o responsável na Receita pelo acobertamento do tráfico de drogas e de armas no porto de Santos.
O deputado Robson Tuma (PL-SP), antes do depoimento, havia dito a jornalistas, pelos corredores da Assembléia, que existiam indícios que sustentaria as acusações que fazia. Na hora de fazer as perguntas a Del Comuni, foi possível perceber que ele estava exagerando.
Tuma afirmava não entender o motivo de não ter havido apreensão de drogas no porto de Santos. O superintendente explicava, de forma técnica, que cerca de 700 mil containers passam anualmente pelo porto, são checados por amostragem e que se a droga fosse encontrada, seria apresentada à polícia. Diante da resposta, Tuma repetia a pergunta e o superintendente a resposta, cena que tomou cerca de meia hora do depoimento.
Antes de Del Comuni falar á CPI, o deputado Celso Russomano (PPB-SP) dizia ter muitas dúvidas sobre a atuação dele no comando da Receita. Afirmava aos jornalistas, em tom ríspido, que caso o superintendente não tirasse todas as dúvidas que ele e a CPI tinham, estaria "metido em sérios problemas".
Russomano preferiu não fazer perguntas e trouxe uma testemunha encapuzada faltando cinco minutos para acabar a sessão, para dar informações sobre o tráfico de armas no Porto. Del Comuni ouviu e anotou as informações.
Na última intervenção de Tuma o deputado quis saber o motivo do superintendente ter levado para seu gabinete uma apreensão de equipamentos de escuta telefônica. Del Comuni explicou que toda a carga apreendida no estado é incorporada, como prevê a lei. O deputado perguntou qual era a destinação dada ao equipamento. Diante da resposta do superintendente de que utilizava, por motivos de segurança, para gravar suas próprias conversas telefônicas, Tuma determinou que fosse mandado requerimento ao Ministério público Federal para apuração. "Isso é crime", afirmou o deputado. Duas procuradoras da República que acompanhavam a sessão afirmaram que o tipo de gravação relatada por Del Comuni "Não configura crime". "Qualquer pessoa pode gravar suas próprias conversas no telefone", afirmou a procuradora do Ministério Público Federal, Denise Neves Abade.

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