A desvalorização do moeda japonesa, o iene, decorrente da crise financeira que atinge o País, deve provocar uma redução de cerca de 20% no capital enviado pelos dekasseguis (trabalhadores brasileiros) do Japão para o Brasil.
De acordo com o professor da faculdade de Sociologia da Universidade de Tóquio, Toyoie Kitagawa, de 50 anos, a estimativa oficial é de que esse valor não atingirá o total enviado em 97, US$ 2 bilhões. A previsão para 98 é de US$ 1,6 bilhão.
Com três livros publicados sobre a situação do dekasseguis, Kitagawa veio ao Brasil a convite do Consulado Geral do Japão para fazer uma palestra sobre a situação dos imigrantes brasileiros. Segundo dados do governo japonês, existem 268 mil dekasseguis no País.
O professor apresentou uma pesquisa, feita com mil desses imigrantes, na qual os brasileiros estão divididos. Parte quer voltar para o Brasil (33%), parte quer ficar no Japão (33%) e o restante respondeu que não tinha como definir o futuro.
Kitagawa afirmou que os dekasseguis ‘‘são tratados como japoneses’’ pelo governo. ‘‘Os asiáticos, que são trabalhadores ilegais, estão em situação pior’’, declarou. Segundo o professor, uma alternativa dos imigrantes brasileiros foi mudar para áreas próximas de montadoras de automóveis.
Ele citou dados do governo japonês de que, entre os habitantes da província de Nagano - onde há uma concentração de montadoras -, houve um aumento de 31% do número de dekasseguis. ‘‘A saída escolhida por eles foi buscar emprego nos setores de exportação’’, disse Kitagawa. Atualmente, o taxa de desemprego no Japão é de 4,3%.
CampanhaNo Paraná, a situação dos dekasseguis tem sido alvo de um debate mais intenso a partir da crise japonesa e motivou campanha da Folha de Londrina/Folha do Paraná e várias outras entidades no esforço para auxiliar trabalhadores que se encontram em situação mais difícil. Um grupo deles, incluindo quatro londrinenses, já retornou ao Brasil num trabalho da Asibrás, Nipomed e Vasp. Em Londrina, Polícia Federal vem dando andamento a inquérito aberto para apurar eventuais irregularidades na contratação de pessoas dispostas a tentar a vida no Japão.

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