Belém- Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) constataram que a degradação ambiental das florestas da região e a destruição das fontes de alimentos dos morcegos é a principal causa do surto de raiva humana que já matou 15 pessoas na zona rural de Portel, no arquipélago do Marajó.
De acordo com o estudo, realizado há uma semana, nos últimos anos ocorreu um processo de mudanças radical no ecossistema daquela região. A situação de extrema miséria dos moradores também que contribui para a difusão da doença e dificulta as ações preventivas contra a raiva.
Um dos maiores especialistas em morcegos hematófogos - os que se alimentam de sangue - do país, o médico veterinário do Serviço de Sanidade Animal do Ministério da Agricultura, José Carlos Souza, que está em Belém (PA), afirma nunca ter visto nada parecido no Brasil. ''O único registro semelhante com tantas mortes aconteceu em 1929, na cidade de Trinidad Tobago, quando 29 pessoas morreram'', lembrou Souza.
Ele disse que os morcegos que vem disseminando raiva na área do rio Acuti-Pereira são de uma espécie cosmopolita, facilmente encontrada em quase todo o País. Os morcegos desta espécie atacam as presas mais fáceis. ''Infelizmente, naquela região, devido ao modo de vida das pessoas, o ser humano é o alvo principal''.

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