Degeneração macular é principal causa de cegueira
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segunda-feira, 05 de novembro de 2007
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Preocupado com a própria visão e com muitas dúvidas, o auditor fiscal e contador Antônio Pereira, de Londrina, procurou na internet uma explicação para a crescente dificuldade de enxergar longe. ''O que eu achei me colocou muito medo, porque é uma doença que não tem cura'', afirma, referindo-se a uma patologia chamada degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Não é o caso do contador de 65 anos, ''diagnóstico'' descartado depois de uma consulta, desta vez ao oftalmologista. Mas, a doença, é realmente digna de preocupação - é a maior causa de cegueira no mundo.
O oftalmologista Gildo Fujii, de Londrina, explica que ao contrário de outras doenças, como a catarata, que é tratável, a cegueira causada por alguns tipos de DMRI é irreversível. Como o próprio nome diz é relacionada à idade e hoje o número de casos é crescente porque a população está envelhecendo. Incidências mostram que de 5% a 7% da população acima de 50 anos tem alguma forma de degeneração. Acima dos 75 anos, a incidência sobe para 10%. E dos que tem a doença, 10% chegam à cegueira.
A degeneração, segundo o médico, atinge a parte central da visão, que é, na verdade, a mais importante, porque é o que permite ao indivíduo focar, ler e ver TV, por exemplo. ''Sem essa parte, a pessoa não consegue ter definição (da imagem)'', ressalta Fujii.
A causa da doença ainda é controversa. Segundo o oftalmologista, existem várias teorias, mas o consenso é que a causa não é única. ''Não é só a idade, não é só a tendência genética, não é só as pessoas de pele branca. Há outros fatores, como o fumo, degenerativo para a retina, e a pressão alta, que causa alteração vascular na região'', explica. As pessoas de pele clara são mais suscetíveis porque têm também no olho uma proteção menor na absorção de raios ultravioletas, outra das possíveis causa da doença.
O importante, além de diagnosticar a DMRI, é determinar se há o risco de ela ser da forma avançada. As chamadas exudativa e atrófica, por exemplo, tem avanço rápido, e quanto mais há demora pra tratar, mais sequelas, inclusive cegueira.
Uma das formas de tratamento é com a suplementação das vitaminas C, E, betacaroteno e zinco, em alta dosagem. Mas a suplementação vitamínica, ressalta Fujii, só deve ser feita sob orientação médica. Isso porque há contra-indicação em alguns casos, e as vitaminas podem causar ''estragos'' ao invés de benefícios. Os pacientes fumantes, por exemplo, se fizerem a suplementação na dosagem recomendada para tratar a DMRI, têm aumentadas em duas vezes as chances de câncer de pulmão.
Outra recente forma de tratamento é com o uso de medicamentos (ranibizumab e bevacizumab). ''Cada caso é um caso, uns respondem bem, outros não. Mas, há três anos o prognóstico era muito pior. Hoje, você consegue tratar'', avalia o médico.
Um das dificuldades de combater a doença é que os sintomas, como manchas no campo de visão e imagens borradas, frequentemente aparecem já na fase avançada. Por isso, o ideal, alerta Fujii, é que pessoas com idade acima dos 50 anos façam consultas periódicas ao oftalmologista. Outra forma de prevenção é usar óculos escuros durantes todas as fases da vida. Os raios ultravioletas são cumulativos e o resultado de ''sol a vida inteira'' vai aparecer depois dos 70.


