Deformidade imaginária é responsável por pedidos
O cirurgião plástico Munir Curi, um dos precursores da estética íntima no Brasil, acredita que uma parcela dos pedidos de cirurgias desse tipo está relacionada ao que ele chama de ''deformidade imaginária''. ''Existem casos em que realmente não há necessidade alguma, então me recuso a fazer'', afirma.
Curi e o dermatologista Bedin executam também transplante pubiano. Enquanto tem gente que faz de tudo para tirar os pêlos, há quem se incomode com a falta deles. Segundo os especialistas, esse pedido é geralmente feito por mulheres com mais de 60 anos, que, por causa da queda no nível hormonal, acabam perdendo-os.
Bedin explica que o interesse por esse tipo de técnica aumenta por dois motivos. ''A vida sexual feminina está prolongada. Se antigamente as de 50 anos já aposentavam as 'chuteiras', agora elas não só continuam na ativa por mais tempo como também se relacionam com homens mais novos. E a falta de pêlos não deixa de ser um sinal de envelhecimento, que elas querem disfarçar com o implante capilar.''
Apesar do preconceito os homens também recorrem a correções estéticas. A mais procurada, inclusive pelos mais novos, é a minilipoaspiração de púbis - procedimento também usado em mulheres. Ao retirar o excesso de gordura local, o volume diminui. No caso de púbis alto, outra opção é fazer lifting, que geralmente está associado à cirurgia do abdome.
Há quem queira reduzir a bolsa escrotal. Segundo o médico Assis, o excesso está relacionado à idade avançada, fase em que se perde colágeno e a pele fica flácida. No entanto, a cirurgia mais polêmica é a de alongamento do pênis. ''Com a presença de um urologista, se faz a liberação dos ligamentos laterais para se ganhar até três centímetros no comprimento, sem que isso afete o desempenho sexual'', garante.
Fora as cirurgias, existem técnicas que não necessitam de anestesia nem cortes. Assim como os homens perdem o colágeno, causando flacidez na bolsa escrotal, as mulheres sofrem desse mesmo problema. Para isso, há preenchimento nos lábios vaginais. É feito com a aplicação de ácido hialurônico - o mesmo utilizado na boca e rugas do rosto - ou até com a gordura do próprio corpo.
O peeling perianal e perivulvar é outra técnica que também passou a ser usada na estética íntima. A região genital é mais escura, por existirem mais células de melanina, mas a partir dos 50 anos a queda hormonal pode piorar o quadro, explica o dermatologista Bedin.
A perineoplastia tem sido a opção para mulheres que reclamam do afrouxamento vaginal após o parto normal. ''Muitas vezes envolve o reforço da musculatura do períneo e da região vaginal, para que se recupere o prazer sexual'', avisa o ginecologista Valente, que vai apresentar em junho uma nova técnica de cirurgia íntima no Congresso Brasileiro de Medicina Estética.(C.V./A.E.)





