São Paulo, 08 (AE) - A definição do modelo de intervenção do Banco Central no câmbio foi, para o mercado financeiro, a notícia mais importante divulgada hoje no memorando de intenções acertado com o Fundo Monetário Internacioal (FMI). A medida agradou o mercado, tanto que o dólar fechou estável em comparação a sexta-feira, sendo cotado a R$ 1,98. Na média (ptax), a cotação teve queda de 1,13%.
Operadores comentaram que houve negócios - poucos, é verdade - a R$ 1,95. Isso pode mostrar uma tendência de baixa para amanhã (09).
Para o mês de março, segundo os termos do acordo com o FMI, o governo pode fazer vendas líquidas (diferença entre o volume de compras de dólares e o de vendas) de até US$ 3 bilhões. Esse número cai para US$ 2 bilhões em abril, US$ 1,5 bilhão em maio e o mesmo volume para junho. "Os recursos vão equilibrar o mercado de câmbio, que vem registrando taxas elevadas e distorcidas por problemas de fluxo de capitais, que não tem nada a ver com a economia", afirmou o presidente do Grupo Meridional e do Banco Bozano,Simonsen, Paulo Ferraz.
De acordo com Ferraz, o mercado encontrará um equilíbrio por si só quando o volume de exportações superar o de importações, por exemplo, ou quando o Brasil e as empresas brasileiras conseguirem retomar as emissões no mercado externo, fazendo com que a entrada de dólares supere as saídas, extamente o que está acontecendo neste momento.
Segundo o economista Roberto Padovani, da Tendências Consultoria Integrada, o problema do sistema de flutuação suja - que ocorre quando o mercado não sabe quando o governo vai intervir vendendo dólar para evitar a disparada das cotações (overshooting) - é que não se tinha uma noção do teto da taxa de câmbio.
Limites - "Fixar limites melhora as expectativas no curto prazo", de acordo com o economista. E os volumes acertados atendem as necessidas do mercado. Para março, por exemplo, o limite de vendas líquidas supera o volume de vencimentos de títulos privados de aproximadamente US$ 2 bilhões.
A dívida externa do governo não está incluída nesse nesse montante porque os recursos para pagá-la saem diretamente das reservas brasileiras. Portanto, os limites de vendas devem atender as necessidades do setor privado para quitar dívidas.
Recuo - Ferraz considera possível a cotação do dólar descer ao nível de R$ 1,70 até o fim do ano. Ao fixar essa meta, segundo ele, o governo partiu de R$ 1,21, preço da moeda americana antes da mudança na banda cambial.
As autoridades também levaram em conta a inflação de 16 8% para 1999 - dado que se encaixa nas estimativas do mercado financeiro - e mais uma desvalorização de 20% do real. Esse porcentual supera as estimativas feitas por economistas e executivos financeiros a respeito da sobrevalorização da moeda brasileira em relação ao dólar, antes da mudança na política cambial brasileira.
A expectativa, entretanto, não é que a cotação baixe de uma só vez. Como também não se deve esperar que o dólar ceda e depois volte a valorizar-se. "Se isso ocorrer, é sinal de desequilíbrio em alguma ponta", disse Ferraz.
Pelo sistema do BC, a intenção do governo é vender moeda de forma regular. Não é para se esperar que os US$ 3 bilhões destinados para março sejam "queimados" de uma só vez.
A mudança na política cambial também derrubou as cotações dos principais contratos negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Os contratos futuros de câmbio com vencimento em abril recuaram 0,81% e os contratos com vencimento em maio cederam 0,50%.

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