Déficit público atinge 14,01% com pressão de câmbio
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar 
Brasília, 13 (AE) - O déficit público nominal (que inclui juros e encargos) saltou para 13,25% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses terminados em janeiro, e a 14,01% em fevereiro, revelou hoje o Banco Central. Até dezembro, o déficit acumulado em 12 meses estava em 8,03% do PIB. Em valores absolutos, isso representa R$ 72,37 bilhões em dezembro, R$ 119 19 bilhões em janeiro e R$ 126,12 bilhões em fevereiro.
Esses resultados consideram preços correntes, critério adotado pelo Brasil no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o BC, o custo da desvalorização do real na dívida de todo o setor público (estados, municípios e governo federal) atingiu R$ 102,5 bilhões no primeiro bimestre.
Por causa da desvalorização do real, que chegou a 64% em janeiro, foi registrado um déficit nominal, naquele mês, de 75 60% do PIB do período, o equivalente a R$ 52,32 bilhões. Em fevereiro, quando o efeito da desvalorização cambial foi menor, o setor público apresentou o resultado negativo de 16,78% do PIB
ou R$ 11,88 bilhões.
Metodologias - Estes números são resultado da chamada metodologia tradicional de cálculo, que considera o efeito da desvalorização do real em toda a dívida. Mas o BC adotou em paralelo uma metodologia em que o impacto é dissipado, pois só é contabilizado na parcela da dívida que está vencendo.
Neste segundo critério, denominado pelo BC de "alternativo", o déficit nominal cai dos 75,6% para 5,78% do PIB em janeiro, equivalente a R$ 3,99 bilhões. O resultado de fevereiro também tem melhora significativa, pois sai de 16,78% para 6,77% do PIB, ou R$ 4,79 bilhões.
Considerando o resultado acumulado em 12 meses, no critério alternativo as contas públicas ficaram negativas em 7 43% em janeiro (R$ 66,86 bilhões) e em 7,44% em fevereiro (R$ 66 96 bilhões).
A tendência, segundo o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, é que haja convergência do déficit nominal apurado nos dois critérios e, no fim do ano, seja de 10 34% no sistema tradicional e de 6,86% no alternativo.
Também foi por causa da desvalorização do real que o BC voltou a divulgar o resultado das contas públicas em 12 meses, dado que havia abandonado no ano passado, sob a alegação de que não refletia a situação real das contas.
Na época, Lopes, destacou que o mau desempenho de estados e municípios, em dezembro de 1997, estava contaminando os números de 1998. Desta vez, ele advertiu que, ao longo do ano
o efeito da desvalorização também estará afetando o resultado de 12 meses.


