Brasília, 15 (AE) - O déficit em conta corrente - que inclui as transações comerciais, serviços e transferências unilaterais - passou de 4,52% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses terminados em dezembro para 4,59% do PIB nos 12 meses terminados em janeiro último. A elevação, segundo o chefe do departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, deve-se ao saldo deficitário na balança comercial, de US$ 754 milhões, e também à conta deficitária de serviços, com destaque para o pagamento das despesas com juros, que cresceram 13% em janeiro.
De acordo com os dados divulgados hoje pelo BC, o balanço de pagamentos em janeiro, ou seja, o resultado de todas as transações do País com o exterior, foi deficitário em US$ 8,3 bilhões, sendo US$ 2,5 bilhões o déficit em conta corrente e US$ 5,8 bilhões o déficit na conta de capital, que inclui os investimentos diretos e os empréstimos diversos.
No segmento serviços do balanço de pagamentos, o chefe do Depec chamou a atenção para a melhoria de alguns itens, como por exemplo as viagens internacionais, que sofreram o impacto da desvalorização do real. Com a adoção do novo regime cambial, o turismo no exterior ficou pouco atrativo para o brasileiro. O déficit de US$ 217 milhões, registrado em janeiro, é menor do que a média de US$ 356 milhões verificada no ano passado.
Para fevereiro, de acordo com dados preliminares do BC, o déficit em viagens internacionais caiu para US$ 64 milhões, sendo que no mês de março, até o dia 15, o BC contabilizou em viagens internacionais ingresso de recursos da ordem de US$ 36 milhões.
Também houve melhora nas remessas de lucros e dividendos
que foram de US$ 530 milhões em janeiro, US$ 366 milhões em fevereiro e de US$ 129 milhões em março, até o dia 15. No item de serviços diversos, a saída de recursos, que foi de US$ 260 milhões em janeiro, caiu para US$ 51 milhões em fevereiro e para US$ 18 milhões em março, até o dia 15.
Juros - A melhora nesses itens, no entanto, poderá não ser compensada por outros. O chefe do Depec reconheceu que os pagamentos com juros não vão cair. "O endividamento está crescendo", afirmou Lopes.
O pagamento das despesas com juros foi de US$ 730 milhões em janeiro último contra US$ 547 milhões em janeiro de 1998. Em todo o ano passado, o País gastou US$ 12,09 bilhões com o pagamento de juros. Lopes considerou um gasto, este ano, de US$ 17 bilhões com juros "como um bom número".
Na conta de capitais o déficit de US$ 5,8 bilhões em janeiro passado, contra um superávit de US$ 3 bilhões em janeiro de 1998 resultou, segundo o chefe do Depec, da queda generalizada nos ingressos e aumento nas saídas. A exceção ficou por conta dos investimentos diretos, cuja captação, em janeiro, foi de US$ 1,01 bilhão. Os financiamentos caíram 35%, enquanto as amortizações acentuaram-se.
No portfólio (aplicações em bolsa), por exemplo, a saída de recursos foi da ordem de US$ 1,6 bilhão em janeiro, sendo de US$ 1,3 bilhão a saída de recursos pelo Fundo de Investimento de Brasileiros no Exterior (Fiex). A queda nas linhas de crédito de curto prazo foi de US$ 1,4 bilhão, sendo de US$ 2,01 bilhões a saída de recursos pela CC5 (contas de não residentes em dólar).

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