Déficit em transações correntes foi de US$ 13,8 bi em sete meses
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 19 (AE) - O déficit em transações correntes (resultado das operações de comércio e serviço que o País realiza com o exterior) dos primeiros sete meses do ano ficou em US$ 13,8 bilhões, o correspondente a 4,23% do Produto Interno Bruto (PIB) do período. Este resultado indica uma melhora em relação a junho quando o déficit acumulado havia sido de 4,45% do PIB.
De acordo com o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, a tendência deste déficit é de redução. Ele garantiu que a recente revisão no resultado estimado para o ano, que passou de US$ 23 bilhões para US$ 21 bilhões, foi feita exclusivamente por causa da balança comercial que continua com desempenho aquém do esperado. Por isso o governo refez, na última quarta-feira, sua estimativa de superávit, que passou a ser de US$ 1,5 bilhão ante os US$ 3,7 bilhões anteriores. "Nos serviços só os juros estão crescentes e já era esperado", afirmou.
Até julho, os gastos líquidos com o pagamento de juros ao exterior chegaram a US$ 8,64 bilhões, bem acima dos US$ 5,88 bilhões ocorridos no mesmo período do ano passado. Segundo as estimativas do BC, os gastos com juros serão de 15,67 bilhões este ano e de US$ 16,16 bilhões em 2000. Lopes explicou que o aumento na conta de juros está sendo provocado pelo crescimento da dívida externa. Nos últimos anos, um maior número de empresas têm captado dinheiro no exterior por ser mais barato.
Os dados de agosto indicam que, até hoje, os gastos com juros acumulados no mês estão em US$ 540 milhões. Também foram fortes, neste período, as remessas de lucros e dividendos ao exterior que já chegaram a US$ 380 milhões. Em julho, estas remessas haviam sido de US$ 413 milhões.
A queda destacada por Lopes nos itens de serviço tem sido visível, principalmente, em viagens internacionais. Neste mês, já houve uma saída de US$ 100 milhões ante os US$ 162 milhões do mês passado. Estas despesas são relativas, principalmente, aos gastos com cartões de crédito que os turistas brasileiros têm em viagens internacionais.
As passagens aéreas são contabilizadas em transportes junto com o pagamento de fretes de exportações e importações. Lopes não revelou os números de agosto, mas os gastos com transportes acumulados até julho foram de US$ 1,54 bilhões. No mesmo período do ano passado, eles haviam ficado em US$ 1,86 bilhões.
Ingressos - Os investimentos diretos, que são recursos de longo prazo, chegaram a US$ 17,14 bilhões até julho. Em agosto, estes ingressos já são de US$ 2,02 bilhões. De acordo com Lopes, a média mensal de investimentos diretos tem sido de US$ 1,5 bilhão. Com base nesta média, segundo ele, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, pôde rever as estimativas destes investimentos para este ano. As projeções passaram de US$ 23 bilhões para US$ 25 bilhões. O suficiente, portanto, para cobrir com folga o déficit do déficit em transações correntes.
Nos doze meses até julho, os investimentos diretos chegaram a US$ 32,38 bilhões, o bastante para financiar, pela primeira vez, o balanço de pagamentos do mesmo período que ficou em US$ 32 bilhões. Ou 4,91% do PIB do período.
O dinheiro do exterior destinado à aplicações nas bolsas de valores continua em queda. Em julho, o saldo foi positivo em apenas US$ 67 milhões e, até o último dia 17, estavam em US$ 31 milhões. Este resultado, observado até agora, é inferior apenas ao de junho quando o saldo destes investimentos foi de US$ 21 milhões. Mês em que a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) voltou a ser cobrada e provocou uma fuga das operações das bolsas brasileiras para Nova York.
Nos fundos de investimento, o saldo das aplicações continua negativo. Depois da saída líquida de US$ 30 milhões em julho, agosto também estava negativo em US$ 17 milhões até o dia 17. A partir da medida adotada na última quarta, que zerou a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para estas aplicações, a expectativa é que haja ingresso de recursos destinados aos fundos.
As contratações de câmbio para exportações superaram aquelas fechadas para importação em US$ 863 milhões em julho. Até o último dia 17, as operações para exportações também superaram as de importação em 797 milhões.


