Brasília, 17 (AE) - O Brasil fechou o ano de 1999 com o menor déficit em conta corrente desde 1997. Segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, em valores absolutos o déficit em conta corrente do ano passado, que inclui a balança comercial e a conta de serviços, ficou em US$ 24,375 bilhões. Este resultado é US$ 9,236 bilhões menor do que o verificado em dezembro de 1998, quando o déficit em conta corrente atingiu US$ 33,611 bilhões.
"Os números de 1999 são, surpreendentemente, melhores"
disse o chefe do departamento Econômico do BC (Depec), Altamir Lopes. Lopes salientou que, em valores absolutos, a queda é inequívoca e deve-se, em parte, ao comportamento do comércio - ruim, mas melhor do que o esperado - e aos serviços, exceto o pagamento de juros. Tomando os resultados acumulados em 12 meses
o fechamento do ano de 1999 só não superou o de fevereiro de 1997, que fechou os 12 meses com um déficit em US$ 23,919 bilhões.
Já com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) o resultado ficou bem pior. Ele subiu de 4,33% em 1998 para 4,39% em 1999. O chefe do Depec explicou que esse resultado é consequência do efeito da desvalorização, que reduziu o PIB em dólar e provocou a elevação da relação com as transações correntes. Pegando como referência o PIB de dezembro de 1998, portanto sem a desvalorização, e fazendo com ele a relação com o resultado das transações correntes de dezembro de 1999, o déficit ficaria em 3,1% do PIB.
Num ano que o País enfrentou a maior crise cambial de sua história, os números divulgados pelo Banco Central crescem de importância. Mesmo com a crise o País conseguiu que o déficit no balanço de pagamentos que, além das transações correntes inclui a conta de capitais, ficasse bastante parecido com o de 1998. O déficit do balanço de pagamentos ficou em US$ 7,822 bilhões em 1999 contra US$ 7,970 bilhões em 1998.
Descontados os investimentos diretos, o País pagou mais do que captou. No total foram US$ 51,905 bilhões de amortizações feitas, aí incluídos o pagamento a organismos internacionais por conta da ajuda ao governo brasileiro. Os empréstimos e financiamentos a médio e longo prazos somaram US$ 43,882 bilhões no ano. Só com relação aos empréstimos de médio e longo prazo, as amortizações pagas somaram US$ 23,924 bilhões contra US$ 13 919 bilhões pagos em 1998.
O chefe do Depec ressaltou que isso aconteceu porque o País captou muito em 1998, a prazo curto, e teve que pagar em 1999. Somente no mês de dezembro, as transações correntes registraram déficit de US$ 2,969 bilhões, US$ 649 milhões inferior ao resultado do mesmo mês no ano anterior. Essa melhora
de acordo com Altamir Lopes, resultou da reversão do saldo comercial, que apresentou superávit de US$ 249 milhões no mês de dezembro.
Na conta de serviços praticamente todos os itens apresentaram melhora no mês de dezembro e também em todo o ano que findou. O déficit em viagens internacionais, por exemplo, caiu de US$ 4,146 bilhões no ano de 1998 para US$ 1,437 no ano passado, consequência direta do encarecimento do dólar para o brasileiro. No mês propriamente dito, o déficit caiu de US$ 317 milhões em dezembro de 1998 para US$ 160 milhões em dezembro passado.
A despesa com transportes, por força do comércio internacional desfavorável, também caiu no ano. Ela foi de US$ 3 259 bilhões em 1998 e de US$ 2,802 bilhões no ano passado. No item lucros e dividendos o déficit, também menor, foi influenciado pelo crescimento da remessa, para o Brasil, de lucros e dividendos de empresas brasileiras sediadas no exterior
notadamente do sistema financeiro. Em todo o ano de 1999 os brasileiros remeteram US$ 1,478 bilhão para o Brasil contra US$ 488 milhões remetidos em 1998. Com isso o resultado total da conta, que era deficitária em US$ 7,181 bilhões em 1998, permaneceu deficitária, só que em US$ 4,058 bilhões no ano passado.
Só o item juros ficou de fora da melhoria geral em transações correntes. No ano a despesa com juros subiu de US$ 11 948 bilhões em 1998 para US$ 15,170 bilhões em 1999. Lopes explicou que isso foi uma consequência da queda das receitas, uma vez que as reservas internacionais caíram e, com ela, o lucro que o país tinha na sua aplicação. A conta de juros também cresceu pela elevação do endividamento e do custo de captação de recursos externos.

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