Déficit do Tesouro argentino é de US$ 521 mi em janeiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 05 (AE) - O Tesouro da Argentina registrou déficit de 520,9 milhões de pesos (mesmo valor em dólares) em janeiro. No mesmo mês de 1998 o déficit foi de 482,1 milhões de pesos. Comunicado do Ministério da Economia informa que os dados não incluem a cobertura feita pelo governo federal dos déficits nos planos de seguridade social de algumas províncias. No mês passado, esses gastos cresceram para 137,7 milhões de pesos, de 127,6 milhões de pesos em janeiro de 1998.
No mesmo período, a receita operacional caiu de 1,26 bilhão de pesos para para 1,20 bilhão de pesos, um recuo de 4,3%, enquanto gastos operacionais cresceram de 1,609 bilhão de pesos para 1,615 bilhão de pesos, ou 0,4%. A receita de impostos, que era de 1,23 bilhão de pesos em janeiro de 98, caiu 4%, para 1,18 bilhão de pesos. Na receita com aluguel de propriedades, o segundo maior item em receitas, houve uma queda de 93% - passou de 12,4 milhões de pesos para 900 mil pesos.
Do lado dos gastos, o pagamento de juros - maior item de despesas - cresceu de 425,4 milhões de pesos para 441,9 milhões de pesos (19%). Como já foi divulgado, o déficit do orçamento amplo, que inclui pagamentos da seguridade social e de algumas agências federais, totalizou 3,84 bilhões de pesos em 98, de 4,22 bilhões de pesos em 97. O déficit de 1998 ficou abaixo dos 3,85 bilhões de pesos previstos no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Para este ano, a meta é limitar o déficit a 2,95 bilhões de pesos. A meta original era de 2,65 bilhões de pesos.
As negociações para criar uma área de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia devem acelerar-se a partir de março, quando a Comissão Européia irá definir o orçamento comunitário para o período 2000 a 2006, denominado de Agenda 2000.
A Política Agrícola Comum (PAC), o principal entrave entre os dois blocos econômicos, deve ficar praticamente resolvida durante o Conselho Europeu Extraordinário, marcado para os dias 24 e 25 de março, em Berlim.
"Certamente a questão agrícola européia será resolvida durante o conselho extraordinário e, com isso, todos os temas sensíveis, entre eles as negociações com o Mercosul, ficarão praticamente destravados", disse à Agência Estado uma fonte da Comissão Européia em Brasília.
Durante o conselho será definido também o orçamento global para a agricultura européia. Nele estão incluídos, por exemplo, recursos para programas de suporte de renda aos agricultores, preços de grantias para estoques reguladores e os volumosos recursos para subsidiar a agricultura européia, que estão entre os maiores do mundo e são alvo de duras críticas por parte dos países do Mercosul.
Atualmente, o orçameto global agrícola europeu é de 42 bilhões de euros (cerca de US$ 47,5 bilhões). Esse volume representa metade do orçamento global comunitário, que é de 84 bilhões de euros (US$ 95 bilhões). Os recuros são destinados a programas de desenvolvimento regional e econômicos da comunidade européia. O orçamento inclui ainda recursos para formação profissional.


