São Paulo, 06 (AE) - São 400 mil as famílias sem condições adequadas de habitação em São Paulo, segundo a Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sehab). Esse número inclui a população estimada de favelas (2 milhões de pessoas) e cortiços (600 mil), mas não os que moram em loteamentos clandestinos (2,5 milhões de paulistanos, conforme a Sehab). O coordenador de Desenvolvimento da secretaria, Attilio Piraíno, considera R$ 20 mil um bom preço para a construção de um apartamento. A União dos Movimentos de Moradia (UMM) garante que faz por R$ 13 mil.
Por R$ 20 mil, seriam necessários R$ 8 bilhões para começar a solucionar o déficit habitacional da cidade. "Começar" porque esse cálculo não leva em consideração o gasto com infra-estrutura, que Piraíno considera tão oneroso quanto as construções. "Em alguns casos é preciso abrir rua, construir talude e pôr água e esgoto". Parceria - O coordenador é otimista em relação à solução do problema. "Com dinheiro e vontade política, levaremos de cinco a dez anos para zerar o déficit", disse. Com duas condições: uma, que se mantenha a tendência de reversão do processo migratório, com a saída de pessoas da capital. Outra, segundo ele, é a parceria entre os governos. Piraíno fez uma proposta na semana passada que prevê a participação das esferas municipal, estadual e federal na ação pró-moradia em São Paulo.
"A Prefeitura entra com os terrenos, a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) constrói e o governo federal, por meio da Caixa Econômica, financia", explicou. O coordenador contou que o secretário de Estado da Habitação, Francisco Prado de Oliveira Ribeiro, gostou da idéia e ficou de conversar a respeito com o governador Mário Covas (PSDB) e o presidente da CDHU, Goro Hama. Ocupações - Procurado pela reportagem para falar sobre o aumento das ocupações na cidade, Ribeiro enviou um fax com uma análise sobre a falta de infra-estrutura nas metrópoles. "A gente imagina que falta habitação, quando muitas vezes o que falta antes disso é a cidade", disse. "A essas recentes invasões temos que responder, pacientemente, com execução ininterrupta do plano habitacional do governador, que visa entregar à população carente mais de 250 mil moradias".
Para Piraíno, ocupações como as promovidas pela UMM são "atos políticos razoáveis". Ele considera "irresponsáveis" invasões como as feitas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto da Região Central. "Foi a partir de uma invasão ao Palácio das Indústrias, há quatro anos, que começou uma aproximação da Prefeitura com os sem-teto", afirmou. "Infelizmente, no nosso país, é na hora que pega fogo que os processos se aceleram", disse Piraíno. "São 2,5 milhões de pessoas dentro de um caldeirão fechado; se não dermos solução para isso, será problemático". (Alceu Luís Castilho)

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