Porto Alegre, 15 (AE) - O BankBoston está projetando um resultado para a balança comercial brasileira entre US$ 1,5 bilhão negativo e zero. A previsão foi apresentada hoje pelo presidente da instituição, Geraldo Carbone, e está bem abaixo do superávit de US$ 1,5 bilhão estimado pelo Banco Central em agosto e ainda mais distante da última revisão do acordo entre o governo e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que calculava um saldo positivo de US$ 3,7 bilhões.
Carbone prevê que o Brasil poderá alcançar um superávit de US$ 4 bilhões a US$ 6 bilhões no ano que vem, quando os efeitos da mudança do regime cambial de janeiro passado serão melhor sentidos. De acordo com ele, as exportações deverão reagir com "maior vigor" a partir do último trimestre deste ano, pois o processo de retomada de negócios por parte das empresas brasileiras no exterior demanda de seis a nove meses após a desvalorização do real.
"Na importação o efeito é mais rápido, porque ela sofre uma queda de imediato", comentou. A indústria nacional, entretanto, não consegue recuperar ou conquistar clientes externos na mesma velocidade. Além disto, o déficit ou - na melhor das hipóteses - equilíbrio da balança de 1999 vai carregar os efeitos da alta dos preços do petróleo e da depressão dos valores pagos pelas commodities agrícolas e minerais.
Atualmente o BankBoston mantém uma carteira de financiamento ao comércio exterior entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões, disse Carbone. De acordo com ele, este patamar representa a recuperação dos níveis do primeiro semestre de 1998
depois de uma queda de 10% a 12% registrada entre aquele período e os seis primeiros meses de 1999.

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