Brasília, 01 (AE) - O déficit da balança comercial brasileira foi de US$ 94 milhões em janeiro. Uma diferença de US$ 27 milhões com relação ao que havia sido registrado até o penúltimo dia do mês. O resultado, porém, é o melhor alcançado num mês de janeiro nos últimos três anos, de acordo com a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola. Em janeiro de 1999, o déficit foi de US$ 696 milhões e em 1997, de US$ 730 milhões. Segundo ela, a concentração de importações nos últimos dias do mês é normal, porque muitas empresas deixam para fechar o câmbio na última semana.
As exportações somaram US$ 3,45 milhões, 17,1% acima das vendas ao exterior de janeiro de 1999, e as importações foram de US$ 3,54 milhões, valor 2,7% inferior ao do mesmo mês do ano passado. Os itens da pauta de exportação que mais se destacaram foram os aparelhos transmissores e receptores, como rádios e telefones, incluindo celulares. As exportações desses produtos cresceram 188,9% com relação a janeiro do ano passado e os principais mercados foram os Estados Unidos, a Argentina e a Venezuela.
Diferentemente dos últimos meses, em que os produtos semimanufaturados vinham apresentando melhor resultado da pauta de exportações, nesse mês os manufaturados foram os que mais implacaram vendas para o exterior, com aumento de 22,5%. Além dos aparelhores transmissores e receptores, foram destaques aviões, cujas vendas aumentaram 57% para os Estados Unidos, automóveis, com aumento de 18,6% para México, Itália e Argentina
e chassis com motor, com aumento de 75% nas vendas para a Argentina e para a Itália.
Os básicos, principais produtos exportados pelo Brasil, tiveram o menor crescimento: apenas 6,3%. De acordo com Lytha, a explicação para o fraco desempenho é a sazonalidade. Segundo ela
a soja, por exemplo, um dos maiores destaques desse segmento, só começa a ser colhida em fevereiro. As exportações de café, farelo de soja e fumo em folhas, por exemplo, caíram 17,1%, 40% e 7,1%, respectivamente.
Mercado asiático - A recuperação dos mercados asiáticos já começaram a se refletir em vendas para essa região. O melhor resultado nas exportações de janeiro foi alcançado pelas vendas para a ásia, que cresceram 22,5%, principalmente para China, com incremento de 59,6%, Hong Kong, 47,8% e Japão, 47,1%.
De acordo com o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, que agora acumula o cargo de embaixador extraordinário do Mercosul, José Botafogo Gonçalves, a alta no preço do barril de petróleo - cotado a US$ 27 o barril, valor considerado o pico da cotação - não deverá prejudicar a meta de superávit entre US$ 4 e US$ 5 bilhões esperada para este ano. "Não acredito que apenas esse item possa prejudicar o desempenho da balança, cuja recuperação se vem consolidando nos últimos meses", disse.

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