Washington, 21 (AE-AP) - O déficit comercial dos Estados Unidos atingiu um recorde em janeiro em consequência da alta dos preços do petróleo e aumento das importações de carros, entre outros bens, informou hoje o Departamento de Comércio. O déficit com mercadorias e serviços aumentou de US$ 24,6 bilhões em dezembro para US$ 28 bilhões em janeiro.
A alta nos preços do petróleo ajudou a dar um empurrão de 1,7% nas importações de janeiro, que atingiram um recorde de US$ 112 bilhões. Só o déficit de US$ 6,9 bilhões em derivados de petróleo foi o maior desde que o governo começou a acompanhar esses números em 1989.
As exportações caíram 1,8%, chegando a US$ 84,1 bilhões, situando-se ainda no segundo nível mais alto de que se tem registro. O declínio refletiu uma redução na demanda de semicondutores, produtos eletrônicos, insumos industriais e aparelhos domésticos. A queda nas exportações foi a primeira desde maio.
A demanda interna por todo tipo de produtos, de carros a jogos eletrônicos Pokémon, tem sido impulsionada pelos ganhos obtidos nas bolsas de valores, pela mais baixa taxa de desemprego em três décadas e pela confiança do consumidor, que atingiu seu auge em janeiro.
As vendas no varejo cresceram, em 1999, no ritmo mais acelerado em 15 anos. Mas isso refletiu-se no déficit comercial recorde do ano passado de US$ 267,6 bilhões em valores revisados. Os dados preliminares indicavam um saldo negativo de US$ 271,3 bilhões.
Aquecimento - Há poucos indícios de um esfriamento na demanda. Os desembarques de mercadorias no Porto de Los Angeles, o segundo maior do país, aumentaram 25% em fevereiro em relação ao ano anterior. Os embarques de exportações aumentaram, uma prova de que também no exterior a economia está crescendo.
As exportações de aviões caíram 4,7% em janeiro, após uma alta de mais de 37% em dezembro, com a redução das entregas da Boeing. A empresa, maior fabricante mundial de aeronaves, exportou 16 aviões em janeiro, 20 a menos que no mês anterior.
As importações de petróleo subiram 7,7%. O preço do produto triplicou desde dezembro de 98 e o déficit comercial com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) mais que dobrou, chegando a US$ 2,6 bilhões em janeiro. Esse número foi de US$ 1,2 bilhão em dezembro, quase o triplo do déficit registrado de US$ 880 milhões em janeiro de 1999.
As importações de automóveis subiram 4,2% pelo terceiro mês consecutivo. A DaimlerChrysler, Toyota e Honda tiveram vendas recordes de carros e caminhões leves nos EUA em 1999.
As montadoras de carros com sede na ásia conquistaram mais de 25% do mercado americano em fevereiro, uma alta em relação ao mesmo mês do ano passado. Os fabricantes com sede na Europa responderam por quase 6%.
O déficit comercial em mercadorias com o Japão diminuiu para US$ 5,6 bilhões em janeiro. Em dezembro, foi registrada uma quantia de US$ 7 bilhões e, em janeiro de 1999, esse número foi de US$ 4,7 bilhões.

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