Washington, 20 (AE-AP) - O déficit da balança comercial dos Estados Unidos deu um salto recorde em fevereiro. De acordo com os dados divulgados hoje (20) pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o saldo negativo atingiu US$ 19,440 bilhões, muito superior ao de janeiro, de US$ 16,8 bilhões.
As importações cresceram 2,3% em fevereiro, para US$ 96 bilhões, principalmente em decorrência do aumento das compras de veículos, roupas, brinquedos e outros bens de consumo do exterior. Isso comprova a tese de que a economia norte-americana ainda está aquecida.
As exportações como um todo (serviços e bens) caíram 0,6%, para US$ 76,6 bilhões, puxadas pelo recuo de 1,5% nas vendas de manufaturados. Os negócios do setor de serviços com o exterior, no entanto, avançaram 1,6%.
O resultado das exportações de manufaturados em fevereiro reflete principalmente a queda de 27,8% nas entregas de aviões comerciais. Excluídas as vendas externas de aeronaves comerciais
as exportações norte-americanas de manufaturados mantivaram-se praticamente estáveis e, nos últimos meses, podem até ter crescido um pouco, conforme dados da Associação Nacional dos Gerentes de Compras (NAPM). O relatório da NAPM indica que o índice que mede o número de pedidos ficou acima de 50 em fevereiro e março, pela primeira vez em mais de 12 meses.
Rombo anual - Nos primeiros dois meses do ano, o déficit comercial norte-americano somou US$ 36,2 bilhões, cifra bem superior aos US$ 21,8 bilhões no mesmo período de 1998, informou o Departamento de Comércio. Se essa tendência for mantida até o fim do ano, os EUA poderão encerrar o exercício de 1999 com um déficit comercial recorde de US$ 225 bilhões, ante o saldo negativo de US$ 169,3 bilhões registrado no ano passado.
Os resultados de março também são frágeis. O saldo negativo poderá consumir cerca de 2 pontos porcentuais no índice de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre, já que o déficit comercial é subtraído do total de vendas finais incluído na fórmula de cálculo da variação do PIB.
O secretário norte-americano de Comércio, William Daley, afirmou que o desequilíbrio reflete a força da economia dos EUA no momento em que o ritmo de atividade no resto do mundo está lento. Ele admitiu que o déficit comercial do país deverá continuar alto este ano.
"Essa tendência de crescimento desigual continua a alimentar nosso déficit comercial, já que os norte-americanos prósperos estão comprando mais importados, enquanto os consumidores dos nossos bens e serviços estão realizando cortes", afirmou o secretário. Juros - A redução dos juros pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra é fator que, segundo Daley, poderá dar novos estímulo à demanda interna na Europa, proporcionando maior oportunidade para os exportadores norte-americanos. Ele também disse esperar que a ásia comece a dar sinais de reativação econômica este ano.

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