Déficit comercial dos Estados Unidos foi recorde em janeiro
Washington, 18 (AE-REUTERS) - O déficit da balança comercial dos Estados Unidos atingiu seu nível mais alto em todos os tempos em janeiro. No primeiro mês do ano, segundo dados preliminares, as importações superaram as exportações norte-americanas em US$ 16,99 bilhões, ante os US$ 13,786 revisados de dezembro.
A culpa pelo desequilíbrio comercial dos Estados Unidos é, mais uma vez, a crise econômica global: enquanto as exportações diminuem cada vez mais, as importações de automóveis, bens de consumo e alimentos estão batendo recordes.
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira (18) que o déficit avançou 23,24% em relação a dezembro e superou o recorde anterior, de US$ 16,7 bilhões, registrado em agosto. Segundo economistas, o déficit em 1999 vai facilmente superar os US$ 168,6 bilhões registrados em 1998. Nos 12 meses encerrados em janeiro, o déficit comercial cresceu 4 14%, para US$ 175,6 bilhões.
O secretário do Comércio, William Daley, comentou os dados e disse que a queda das exportações norte-americanas foi ampliada pelos problemas globais que começaram na ásia e agora espalharam-se pela Rússia e pela América Latina.
"Devemos nos concentrar em melhorar as condições econômicas internacionais ao mesmo tempo em que asseguramos a abertura dos mercados externos para as empresas norte-americanas", disse Daley.
Inflação - Os preços ao consumidor, porém, continuam mostrando que a inflação está sob controle nos Estados Unidos. Apesar de o mês passado ter registrado um significativo aumento dos preços de serviços médicos e dos custos de habitação, a queda dos preços do óleo combustível compensou as altas.
O Índice de Preços ao Consumidor (Consumer Price Index, CPI), que mede as variações de preço de uma ampla gama de produtos, variou apenas 0,1% no mês passado, informou hoje o Departamento do Trabalho. A "core rate", que exclui os preços mais instáveis de alimentos e energia, apresentou a mesma alta de 0 1%. Ambos os porcentuais são iguais aos do mês de janeiro.
Os números confirmaram as expectativas dos analistas e ratificaram a avaliação do próprio Fed, que informou na quarta-feira em seu relatório - conhecido como Livro Bege - que o crescimento da economia continua a acontecer com poucos indícios de inflação. Os preços dos alimentos, que representam quase um quinto de toda a cesta de produtos do CPI, subiram 0,5% em janeiro e apenas 0,1% no mês passado. Já os preços dos serviços médicos avançaram inesperados 0,2%, por causa de um aumento inesperado de 0,5% nos medicamentos.
Desemprego - O contínuo crescimento levou o desemprego norte-americano a seu menor nível nos últimos 30 anos, apesar de as indústrias terem eliminado 337 mil postos de trabalho no ano passado.
O Departamento do Trabalho informou hoje que "condições trabalhistas excepcionalmente positivas" continuam, com o número de trabalhadores norte-americanos pedindo auxílio-desemprego pela primeira vez permanecendo abaixo de 300 mil pela sétima semana consecutiva. É a primeira vez que isso acontece desde 1974. Na semana passada, os pedidos de auxílio-desemprego foram de 298 mil, um avanço de 6 mil em relação à semana anterior.





