Déficit comercial do setor químico deve cair para US$ 3 bi
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Carin Homonnay Petti 
São Paulo, 28 (AE) - A desvalorização cambial deve reduzir à metade o déficit comercial do setor químico, de US$ 6 4 bilhões no ano passado - quantia superior a todo o rombo da balança comercial brasileira em 98, de US$ 4,96 bilhões. "Esperamos para este ano déficit em torno de US$ 3 bilhões", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Carlos Mariani Bittencourt. A queda, porém, ainda não apareceu nas estatísticas. Segundo os dados mais recentes da entidade, o déficit do primeiro bimestre (US$ 730 milhões) está um pouco acima do apurado em igual período de 98 (US$ 714 milhões). O resultado é atribuído pela associação às exportações contratadas antes da alta do dólar.
O bimestre já aponta, contudo, para tendência de redução das importações, desencorajadas pela desvalorização no câmbio e também pela redução da atividade econômica. Segundo a Abiquim, nos primeiros dois meses do ano, a queda ficou em 8,95% em comparação com janeiro e fevereiro de 98. É justamente com base na retração das compras do exterior que Mariani aposta na redução do déficit comercial do setor.
Se freou as importações, a alta do dólar foi incapaz de motivar as exportações do setor, com queda de 21,42% na comparação com o primeiro bimestre de 98. Mariani explica a razão: "A indústria brasileira, sem capacidade ociosa, preferiu se concentrar no mercado interno, que passa por momento de substituição de importações". Por isso, mesmo com o câmbio favorável, as exportações brasileiras do complexo químico devem atingir cifra semelhante aos US$ 3,6 bilhões do ano passado, acredita ele.
Mercosul - A redução das importações brasileiras preocupa o Conselho Químico do Mercosul, que se reuniu na terça-feira para discutir o assunto em encontro em São Paulo, com participação das associações das indústrias químicas da Argentina, Uruguai e Chile. Os parceiros do bloco enfrentaram queda de 6,7% nas exportações para o Brasil no primeiro bimestre em comparação com igual período de 98. Na Argentina, a retração ficou em 5,62% e no Uruguai, em 10,64%. A exceção ficou com Paraguai, com aumento de 27% nas vendas para o Brasil, com volume, porém, pouco significativo (US$ 538 mil).
Apesar da redução das importações brasileiras, o superávit da indústria química do País no âmbito do Mercosul encolheu de US$ 104 milhões, para US$ 68 milhões no primeiro bimestre em relação aos dois primeiros meses de 98. Motivo: queda de 20,73% nas vendas brasileiras aos parceiros do bloco - retração que surpreendeu os países vizinhos. "Logo que houve a desvalorização, esperávamos uma invasão de produtos brasileiros, o que não ocorreu", diz o presidente da Câmara da Indústria Química e Petroquímica da Argentina, Jorge Sanpietro.
Segundo ele, com o recuo da cotação do real, as exportações argentinas para o Brasil voltarão, em seis meses, aos níveis do ano passado. No primeiro trimestre, diz ele, foi registrada queda de 10% em relação aos três últimos meses do ano passado e de 15% em comparação com igual período de 98.
Além de analisar estatísticas, o Conselho Químico do Mercosul decidiu, na reunião de ontem, que vai mediar conflitos que surgirem entre seus associados. "As conversas serão feitas entre as associações, sem interferência do governo", afirma Mariani.


