Buenos Aires, 10 (AE) - O déficit comercial argentino em 1999 foi de US$ 2,221 bilhões, o que indica uma queda de 55% em relação a 1998, quando foi de US$ 4,963 bilhões. O anúncio foi feito pelo Ministério da Economia, baseado em dados do Instituto de Estatísticas e Censos (Indec).
Segundo o ministério, no ano passado, o total das exportações argentinas foi de US$ 23,318 bilhões, ou 12% inferior ao resultado de 1998, quando havia sido de US$ 26,441 bilhões. O total de importações em 1999 foi de US$ 25,539 bilhões, ou seja, 19% menor que no ano anterior, que registrou US$ 31,304 bilhões de compras ao exterior.
O Ministério da Economia informou que dos 12% de queda nas vendas ao exterior, 11% foram causados pela redução dos preços internacionais, enquanto que 1% foi determinado pela queda no volume das exportações.
Nas exportações, as principais quedas foram entre os produtos primários, com uma redução de 21%; nas manufaturas industriais, com uma queda de 20%; e nas manufaturas agropecuárias, que caíram 6%. Nas importações, houve quedas de 41% nas compras de veículos de passageiros; de 29% nas peças e assessórios para bens de capital, e de 17% nos bens de capital.
O Mercosul foi o único bloco comercial com quem a Argentina conseguiu manter superávit: em 1999 foi de US$ 750 milhões, significativamente inferior ao superávit que teve em 1998, que foi de US$ 1,485 bilhão.
Segundo analistas, a crise no Brasil foi um dos principais motivos da redução das exportações argentinas. O país exportou ao redor de 25% menos para os sócios do Mercosul, e não conseguiu mercados substitutos para onde pudesse dirigir essas vendas.
As manufaturas de origem industrial tiveram uma queda de 33% nas exportações ao Mercosul. As importações provenientes do Brasil, Uruguai e Paraguai tiveram uma queda de 21%. Com os outros blocos comerciais, a Argentina somente teve déficits: no comércio com os países do Nafta, teve um déficit de US$ 4,635 bilhões. Com os países da União Européia, o déficit foi de US$ 2 402 bilhões, e com os integrantes da Asean, de US$ 1,926 bilhão.
Analistas consideram que a recessão argentina poderia estar no fim: um sinal ocorreu em dezembro através da recuperação tanto nas vendas como as compras ao exterior. No último mês do ano passado, como em novembro, as exportações aumentaram 5%. Além disso, as importações cresceram 6%, o que consistiu o único aumento de compras no ano.
Desde o início da conversibilidade econômica em 1991, a Argentina acumulou um déficit comercial de US$ 10,529 bilhões.

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