Déficit cai no bimestre e balanço é positivo16/Mar, 19:53 Por Vânia Cristino Brasília, 16 (AE) - O déficit em transações correntes, que inclui a balança comercial (exportações e importações) e o setor de serviços caiu nos primeiros dois meses deste ano com relação a igual período do ano passado. Em 1999 o déficit acumulado no primeiro bimestre foi de US$ 3,271 bilhões. Este ano, segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, está em US$ 2,181 bilhões. Para o chefe do departamento Econômico do Banco Central (Depec) esta recuperação é expressiva, mesmo considerando que, no ano passado, o País atravessava o que ele chamou de "epicentro da crise cambial". "Houve uma melhora considerável no comércio e nos serviços", destacou Lopes. Já na conta de capitais, que inclui os investimentos, amortizações e empréstimos, o chefe do Depec destacou que houve uma virada de quase US$ 10 bilhões no bimestre. A conta de capitais saiu de um déficit de US$ 5,526 bilhões em janeiro e fevereiro de 1999 para um superávit de US$ 4,438 bilhões em janeiro e fevereiro deste ano. Com relação exclusivamente a fevereiro, o déficit em transações correntes piorou. Ele foi de US$ 966 milhões em fevereiro de 1999 e de US$ 1,252 bilhão em fevereiro último. Já a conta de capitais registrou ingressos líquidos no mês de fevereiro, devido a investimentos estrangeiros diretos e colocação de bônus da República. No total, o balanço de pagamentos, que é o retrato de todas as transações do País com o exterior, registrou um superávit de US$ 856 milhões em fevereiro. A piora do déficit em transações correntes, em fevereiro foi explicada pelo chefe do Depec pelo crescimento dos gastos com viagens internacionais, despesas com transporte (intercâmbio comercial) e serviços diversos, com remessas relativas a aquisição de softwares. "As viagens internacionais estavam travadas no ano passado por causa da desvalorização cambial", disse. Os gastos com viagens subiram, em termos líquidos, de US$ 54 milhões para US$ 98 milhões de janeiro para fevereiro. Para o mês de março, até o dia 16, os principais ítens do segmento serviços estão negativos. As remessas de recursos são da ordem de US$ 483 milhões de juros, US$ 63 milhões para viagens internacionais, US$ 314 milhões de pagamento de lucros e dividendos e US$ 127 milhões em serviços diversos. O Banco Central avalia que o déficit em transações correntes está em queda e vem sendo totalmente financiado por investimentos diretos. Em fevereiro o investimento direto somou US$ 1,866 bilhão, sendo apenas US$ 158 milhões relativos à privatização da Companhia Energética de Pernambuco (Celp). Com relação a fevereiro de 1999 houve uma queda de 59,3% nos investimentos diretos devido ao fato de que, no ano anterior, os ingressos de privatizações no mês somaram US$ 3,8 bilhões. O investimento direto acumulado até 16 de março alcança US$ 5,430 bilhões.

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