Deficientes vão ficar sem transporte gratuito
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os portadores de deficiência física, mental, auditiva ou visual não terão direito a transporte gratuito nos ônibus intermunicipais que percorrem o Estado. O veto do governador Roberto Requião (PMDB) ao projeto do deputado estadual Tadeu Veneri (PT) foi mantido ontem pela Assembléia Legislativa. A votação foi apertada 22 pela manutenção e 21 pela derrubada do veto e gerou bate-boca no plenário.
O deputado Jocelito Canto (PTB) pediu recontagem dos votos, mas o deputado Artagão Matos Leão (PMDB) protestou. O presidente, Hermas Brandão (PSDB), deu o assunto por encerrado e prosseguiu na votação dos demais projetos. Veneri disse que vai reapresentar o seu projeto.
Para rejeitar a proposta, o governador argumentou que o texto vai contra o interesse público, ''porque poderá ensejar desequilíbrio econômico-financeiro das empresas operadoras do transporte coletivo e, ainda, motivação para readequação tarifária''. O líder do governo, Angelo Vanhoni (PT), que é portador de deficiência física, discordou. Ele disse que, apesar de não ter números, o impacto seria ''insignificante''.
A legislação em vigor abrange somente os deficientes físicos em tratamento de reabilitação. A proposta de Veneri estendia o benefício para os portadores de doenças crônicas e para outras cidades do Estado, além de Curitiba e região metropolitana. Estavam contemplados pelo programa portadores de insuficiência renal crônica, câncer em fase de tratamento com quimioterapia ou radioterapia, HIV, hemofilia e esclerose múltipla. Para ter direito ao transporte gratuito, a pessoa teria apenas que apresentar atestado expedido pelas secretarias municipais de saúde.
Vanhoni havia liberado a bancada para votar contra o veto do governador. ''Eu acho que o governo errou nesse caso'', afirmou Vanhoni, lembrando que a bancada já derrubou alguns vetos de Requião.


