Deficientes físicos quebram calçadas em Campinas, SP
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segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 14 (AE) - Com marretas e picaretas, um grupo de deficientes físicos decidiu quebrar as guias das calçadas nos principais cruzamentos de Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo . A idéia, colocada em prática pela primeira vez na segunda-feira pelo vendedor Marcelo Sanches, teve apoio de outros seis deficientes, que sofrem com a falta de guias rebaixadas na área central. O grupo pretende quebrar uma calçada por dia. E promete fazer as rampas.
"Cansamos de esperar por uma providência da prefeitura", disse hoje Sanches, enquanto quebrava mais uma calçada na avenida Francisco Glicério, acompanhado pelos colegas. Com paralisia, ele afirma que resolveu rebaixar as guias por conta própria depois que sua cadeira de rodas quebrou quando ele tentava subir em uma calçada. "Cheguei a cair e poderia ter me machucado", afirma.
Sanches afirma que as cadeiras de rodas de alumínio quebram com facilidade quando os deficientes tentam subir ou descer as calçadas. "O conserto não sai por menos de vinte reais", disse. Uma cadeira de rodas nova, segundo ele, custa, em média, R$ 750,00. "É o nosso principal meio de transporte."
O vendedor informou que, em agosto, participou de cinco reuniões com técnicos do Departamento de Obras da prefeitura. "Eles garantiram que iriam construir as rampas, mas ficou só na promessa." Ao rebaixar as guias por conta própria, o vendedor diz que está fazendo valer a Constituição , segundo a qual "todo cidadão tem o direito de ir e vir".
"Os políticos da cidade não se importam com os deficientes", disse Ernesto Moura Filho, que também integra o chamado "Grupo da Marreta". Segundo ele, outros doze deficientes físicos, que trabalham como vendedores no Terminal Central de ônibus, também se propuseram a ajudar na compra de cimento e areia para construir as rampas. "Vamos fazer o trabalho completo", garante.
A administração municipal informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o cronograma de obras para rebaixar as guias nos principais cruzamentos do centro seria definido ainda hoje. De acordo com a prefeitura, o projeto já foi aprovado. A estimativa, segundo os técnicos, é de que em seis meses os acessos para deficientes estejam concluídos.


