Curitiba - Mais de 73% dos deficientes físicos que tentaram uma vaga no mercado de trabalho no ano passado, por meio do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (PPD), do governo do Estado, não conseguiram colocação por causa da baixa escolaridade e falta de qualificação profissional. É o que aponta a pesquisa divulgada ontem pela Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social.
No ano passado, 3.376 pessoas com deficiência se inscreveram nas agências do Trabalhador e, apesar da Secretaria do Trabalho ter conseguido captar 2.705 vagas no mercado, apenas 1.003 candidatos conseguiram um emprego. Segundo o levantamento do perfil dos inscritos, mais de 60% deles têm apenas o ensino fundamental, 35,24% concluíram o ensino médio e apenas 2,42% conquistaram um diploma universitário.
''Temos as vagas, mas não temos pessoas qualificadas para enviar às empresas'', revelou o coordenador estadual do PPD, Simão Stczaukoski. Segundo ele, a não ocupação das vagas está relacionada, também, a desclassificação de candidatos que recebem a aposentadoria especial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para poder concorrer a uma vaga é necessário desistir do benefício e, por isso, muitos acabam preferindo continuar recebendo os R$ 240 mensais, informou.
O levantamento servirá de subsídio para o plano de qualificação profissional da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social do Paraná. Stczaukoski afirma que o programa já trabalha em parceria com instituições como o Sesc, Senac e Senai para oferecer cursos de qualificação aos candidatos. Uma parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná (Sindimetal) vai permitir que 25 deficientes auditivos participem de um curso de mecânica.
O coordenador acredita que todos consigam colocação, até porque, por lei, as empresas com quadro de 100 ou mais funcionários são obrigadas a preencher de 2% a 5% das vagas com portadores de deficiência. Essa obrigatoriedade, no entanto, está sendo cumprida de forma inadequada por órgãos públicos e estatais como a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que está tendo que demitir os deficientes.
A procuradora do Trabalho, Cristiane Lopes, explica que os contratos feitos por intermédio de associações ou instituições filantrópicas assim como as terceirizações na administração pública só são válidos quando os cargos ocupados são desvinculados do serviço público. Ela reconhece que sobram poucas opções nas repartições públicas e, por isso, defende que o governo do Estado invista no encaminhamento dessas pessoas para o mercado de trabalho com programas como o PPD.
Cristiane não soube informar quantos deficientes terão que ser dispensados pela Sanepar, mas garantiu que a Procuradoria do Trabalho está negociando demissões escalonadas, na medida em que a empresa realize concursos públicos para poder absorver, pelo menos, parte dessa mão-de-obra.

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