Deficiência no sistema imunológico
As disfunções podem aparecer em qualquer idade, e não são hereditárias, mas segundo o médico, têm ''preferência por algumas famílias''. Com uma curiosidade: as doenças acometem sete mulheres para cada homem.
A principal causa das doenças na tireóide, explica Marquezine, é o próprio sistema imunológico. ''O organismo forma anticorpos que agem contra a tireóide. É uma deficiência no sistema de defesa'', afirma. Também aumenta a incidência de hipotireoidismo em pessoas com mais de 60 anos, porque a tireóide vai se ''cansando'' e deixa de produzir hormônios suficientes para o metabolismo do corpo.
No caso do hipertireoidismo, é possível optar por três tipos de tratamento. Nenhum deles ideal, segundo o médico, ''todos com vantagens e desvantagens''. O primeiro deles é o tratamento clínico, com medicamento. A vantagem é que ele é pouco agressivo, mas muito longo. ''Em três anos de tratamento é possível curar 80% dos casos. Com dois meses de tratamento a pessoa já está normal, mas se interromper o medicamento em um ano, a cura é de 40%'', aponta.
A segunda opção é a cirurgia. ''Como o organismo 'trabalha demais', a solução é deixar só um pedaço da tireóide. De um órgão de 30 gramas, deixamos 5. A vantagem é que é rápido e eficiente, mas é uma cirurgia, é um risco'', avalia.
O terceiro tratamento é feito com iodo radiativo, matéria-prima do hormônio T4. Como o corpo não distingue o radiativo do iodo normal, a substância vai destruindo o órgão, proporcionando o mesmo efeito da cirurgia. ''A desvantagem é que você não tem controle nesse processo, e às vezes o iodo radiativo pode destruir demais a tireóide, e levar ao hipotireoidismo'', explica. Marquezine argumenta que mesmo assim é uma vantagem, já que o hipertireoidismo, que pode acarretar efeitos graves no coração, é uma doença séria, mais grave que o hipotireoidismo.
O tratamento do hipotireoidismo é feito com a reposição do hormônio T4, sem contra-indicações. ''Não há cura, mas há controle, e a pessoa não fica com sequela se pára o tratamento'', explica. Com a tireóide normalizada, resta então a quem tem hipotireoidismo fazer dieta para emagrecer. ''Se o hormônio está sendo administrado na dose certa não há motivos para a pessoa engordar'', aponta. (C.P.)





